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O Cristão Perante o Evangelho

XCIV

Estamos ainda muito longe da união integral com Jesus. Somos, na maioria, ainda ignorantes quanto às coisas espirituais. Por esta razão o mundo atual é um rosário de sofrimentos. Nossa ignorância nos leva à dor que é um apanágio do planeta que vivemos. Sofremos porque erramos muito e erramos muito pelo total desconhecimento que a maioria de nós tem das verdades transcendentais que regem o equilíbrio de nossas vidas. Relutamos ainda em acreditar na lei de ação e reação que coordena nossa existência. Ainda temos dificuldades de entender que quando fazemos mal ao nosso semelhante é a nós que estamos fazendo ou se destruímos a natureza, sem o percebermos, estamos colaborando para a destruição do planeta em que vivemos.

Jesus disse: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará.”(Jo 8:32) esta verdade proclamada pelo Mestre é síntese dos ensinamentos do evangelho. Não é necessário apenas o conhecimento teórico dessas verdades, pois a melhor evangelização é feita com a força de nossos exemplos. Existe um grande abismo entre a verdade decorada e a verdade exemplificada, por isso o espírito Emmanuel nos lembra que: “as palavras convencem, os exemplos arrastam”.

Inúmeros cristãos dirigem-se à suas igrejas vestido de terno e levando a bíblia debaixo dos braços. Outros chegam a decorar parte substancial dos ensinamentos contidos nos livros de Deus, mas poucos no entanto, esforçam-se por vivenciá-los em seus corações.

A atitude do verdadeiro cristão perante o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo será em primeiro lugar, conhecê-lo e posteriormente, vivenciá-lo. Conhecê-lo sem vivencia-lo pode ser muito danoso a nós e ao aprendizado de quem nos rodeia. Fariseus e publicanos foram muito criticados por Jesus pois conheciam a lei e não as colocavam em prática. Foram por isso chamados de túmulos caiados, brancos e limpos por fora e sujos por dentro.

Sejamos portanto, mais autênticos quanto aos procedimentos e lutemos sempre para corrigirmos erros e defeitos sem a pretensão de sermos santos porque ainda estamos longe da perfeição.

Allan Kardec inspirado nos alertou: “Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral, pelos esforços que empreende em domar suas más inclinações.”

Tenhamos muito cuidado com brigas e dissensões de fundo religioso pois nossa doutrina nos ensina que toda crença é respeitada quando é sincera e nos conduz à prática do bem. As crenças reprováveis são as que conduzem ao mal. Desde os tempos de Jesus as multidões eram interesseiras e só seguiam o Mestre para se beneficiarem de seus poderes curadores. Passados dois mil anos nosso comportamento infelizmente é o mesmo. A grande maioria nunca entendeu sua mensagem libertadora, por isso a história da humanidade é uma imensa cadeia de sofrimentos.

Harmonizemos nossos sentimentos com a mensagem de Jesus conhecendo-a, mas sobretudo, vivenciando-a.

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