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O Espiritismo é possível?Revista Espírita, dezembro de 1862 (Extraído do Écho de Sétifde 18 de setembro de 1862.) Tal é o título de um muito sábio e muito profundo artigo, assinado por Jalabert, publicado com esta epígrafe: Mens agitai molen, pelo Écho de Sétif, um dos jornais mais acreditados da Argélia. Lamentamos que sua extensão não nos permita reportá-lo por inteiro, porque não pode senão perder a interrupção do encadeamento dos argumentos pelos quais o autor chega, por uma seqüência de argumentos, da criação do corpo e do Espírito por Deus, à ação do Espírito sobre a matéria, depois à possibilidade das comunicações entre o Espírito livre e o Espírito encarnado. Suas deduções são tão lógicas que, a menos de negar Deus e a alma, não se pode impedir de dizer: Isto não pode ser de outro modo. Dele não citaremos senão alguns fragmentos e sobretudo a conclusão. Quando Fulton expôs a Napoleão l o seu sistema de aplicação do vapor à navegação, ele afirmou e se ofereceu para provar que, se seu sistema era verdadeiro em teoria, não era menos verdadeiro na prática. Que lhe respondeu Napoleão? - Que em teoria, sua idéia não era realizável, e, com este fim de não receber a priori, sem ter nenhuma conta nem das experimentações já feitas pelo imortal mecânico, nem das que lhe pedia para fazer e que fez, o grande Imperador não pensou mais nem em Fulton, nem em seu sistema, até o dia em que o primeiro barco a vapor apareceu no horizonte de Sainte-Hélène. Coisa singular sobretudo num século de observações físicas, de ciências materialistas e de positivismo!. Mais de uma vez, o fato, só por isso que é extraordinário, inaudito, novo, o fato, permite-se dize-lo, é afastado por uma simples exceção de direito. É assim que, para não falar senão dessas manifestações de Espíritos, que lembra a expressão de Espiritismo, ouvimos de homens, aliás, sérios e instruídos, exclamarem, zombeteiros, depois de uma narração conscienciosa de certas dessas manifestações vistas ou atestadas por homens inteligentes, convencidos e de boa fé: Deixai, pois, a vós vosso Espiritismo e vossas manifestações, e vossos médiuns! O que contais não é possível! - Não é possível! Pois bem, seja! Mas, por favor, ó gênios transcendentais! dignai-vos vos lembrar da palavra célebre de um Antigo, e, antes de nos atingir com os vossos soberbos desdéns, consenti, eu vos peço, ouvir-nos. Quereis ler estas linhas por inteiro, - seriamente, atentamente, - e depois, a mão sobre a vossa consciência e a sinceridade sobre os vossos lábios, ousai, ousai negar a possibilidade, a racionalidade do Espiritismo! Dizeis: Eu não compreendo esse mistério! - mas para nós como para vós, o movimento material produz um movimento espiritual, a matéria agitada pelo pensamento, o corpo movido pelo Espírito, é o incompreensível! Mas o incompreensível não é o impossível. Negar essa ação, negar essa influência, negar essa comunicação! Não mais criação, não mais encarnação, não mais de Redenção, não mais de distinção entre a alma e o corpo, não mais de variedade na unidade, - não mais Deus, - não mais corpo, - não mais Espírito, - não mais razão. - O caos, o caos ainda e sempre o caos, ou, o que é pior, o panteísmo ou o nihilismo. Resumamos. Filosoficamente, fisiologicamente, religiosamente, o Espiritismo não é nem irracional, nem absurdo. Portanto, ele é possível. O homem age - sobre si mesmo por seu verbo interior ou sua vontade e por seus sentidos, - sobre seus semelhantes, por seu verbo exterior ou sua palavra, e pelos seus sentidos ainda. Por que, pois, só pelo seu verbo interior, não se comunicaria com Deus, com o anjo e com os Espíritos, em uma palavra, com qualquer outro ser incorpóreo por natureza, ou acidentalmente corporificado, liberto dos sentidos? O Espírito é uma força, uma força agindo sobre a matéria, quer dizer, sobre um ser nada tendo de comum com ele, inerte, não inteligente. E, no entanto, existem relações do criador à criação, do anjo ao homem, como da alma do homem ao corpo do homem e, por ele, ao mundo exterior. Mas, de Espírito a Espírito, o que impediria uma ação, uma comunicação recíproca? Se o Espírito se comunica com os seres de uma natureza oposta à sua, não se conceberia verdadeiramente que não pudesse se comunicar com os seres de uma natureza idêntica. De onde viria o obstáculo? - Da distância? - Mas, entre Espíritos, não há distância. "O ar está cheio deles," disse São Paulo, - para nos fazer compreender que eles gozam, de alguma sorte, da ubiqüidade divina. De uma diferença hierárquica? Mas a hierarquia aí nada faz; desde que são Espíritos, sua natureza o exige, agem e se comunicam entre si. - De sua estada momentânea nos laços corporais? - Mas, nesse caso, salvo a diferença dos meios de comunicação, ela mesma não o fará menos. Meu Espírito comunica com o vosso, e vosso Espírito, tanto quanto o meu, habita um corpo. Por mais forte razão, comunicar-se-á com um Espírito livre, ou libertado de toda matéria, - quer se trate de um Espírito de anjo ou de uma alma de homem. Há mais! Longe de que nada impede, tudo, ao contrário, favorece semelhante comunicação. "Deus é amor" e tudo o que tenha qualquer coisa de divina, participa do amor. Mas o amor vive de comunicações, de comunhões; Deus ama o homem: também comunica-se com ele, - no Éden, pela palavra, - sobre o Sinai pela escrita, - no estábulo de Belém e sobre o cume do Calvário por seu Verbo encarnado, - sobre o altar, por seu Verbo transubstandado no pão e no vinho eucarísticos. Temos, pois, por certo que as comunicações de alma a alma, de Espírito a Espírito, são mais possíveis ainda do que as do Espírito à matéria. Agora, qual será o instrumento, o meio de comunicação dos seres entre si! Entre os seres corpóreos, essa comunicação se opera pelo movimento, como é o verbo dos corpos; Entre seres puramente espirituais, pelo pensamento ou pela palavra interior, que é como o movimento dos Espíritos; Entre seres ao mesmo tempo espirituais e corpóreos, por esse mesmo pensamento revestido de um sinal ao mesmo tempo corpóreo e espiritual, pela palavra exterior; Entre um ser espiritual e corpóreo, de uma parte, e um ser simplesmente espiritual, de outra, comumente pela palavra interior, se manifestando fora por um sinal material. E, que será esse sinal? -Todo objeto material, movendo-se, num momento dado, de um movimento com significado previamente convencionado, sob a única influência, direta ou indireta, da vontade ou da palavra interior do Espírito com o qual quiser se por em comunicação. Recomendamos este artigo ao Sr. Tony, de Rochefort; eis um de seus confrades que diz tudo ao contrário dele; um diz branco, o outro diz negro; quem tem razão? Há entre eles esta diferença, que um sabe e que o outro não sabe. Deixamos ao leitor o cuidado de pesar as duas lógicas. O mesmo jornal publicou vários artigos sobre o mesmo assunto, por outros escritores, e que, como este, levam a marca de uma profunda observação e de um estudo sério. Disto voltaremos a falar. |
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