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Poesias espíritasRevista Espírita, novembro de 1862 (Bordeaux. - Médium, E. Collignon.) Meu testamento.Embora rimado, creio que não é por isso menos bom, Entendamo-nos. Nele o que gabo Não é a rima: ela é mordaz; É o espírito que... Diabo seja da gíria! O Espírito não é, não mais, isso do que me preocupo; Compreende bem se se pode: Só o Espírito vivifica, É assim que tomo a palavra. Eu, que dele não sou um, mas que logo irei ser, -O espero, pelo menos, - eu gostaria de comparecer, Não inteiramente como um tolo, Mas como um pobre Espírito, humilde em meu arrependimento, Colocando em meu Senhor toda a minha esperança, E contando, para chegar à morada dos eleitos, Muito sobre sua bondade, e muito pouco sobre minhas virtudes! Expliquemo-nos ainda, porque sempre me equivoco; É só a bondade de Deus que invoco; Pois, para retomar meu assunto, Antes de ir ouvir a sentença Que me oprima ou me justifique, Quero regular, do melhor que eu puder, Toda conta atrasada em minha vida. Há algumas delas que baixinho confessaria Me dominam fortes no coração. Ora, vejamos como fazer Para arranjar o todo melhor que se puder. Isso não ó, entre nós, um pequeno assunto! Primeiro, quando meu Espírito de seu corpo se for, Reclamo de vós uma boa prece Podendo servir de passaporte Ao pobre morto Que restitui seu pó à terra. Este fato, é de meu enterro Que é preciso se ocupar, Que, sem muito vos emocionar, Esse será o enterro do sábio. De início, em minha vida, fui sempre ferido Em ver sobre os túmulos tanto luxo amontoar, Então que nos entregamos à massa de argila O pouco de que fomos formados. Por que nos ocupar de uma glória fútil? Muitos se perderam por serem muito gabados! A prece de Deus provoca a clemência; Nós o cremos; tal é também minha esperança. Mas por que pedir mais por estes do que por aqueles? De que serve o adorno ostentado para isso? Por que o infeliz que morre na miséria Não tem, como eu, o concurso da prece? Por que, pois, expor esse fausto tão dispendioso, Que faz nascer a inveja quando se nele pensa? É para enganar o homem ou para ganhar os céus? Se é para enganá-lo, anátema à mentira! Se é para atrair as graças do Senhor, Orai primeiro por aqueles que, privados da felicidade Que nos proporcionam as riquezas, Tendo muito sofrido, têm direito às liberalidades Que não vos custam uma moeda! Ora, escutai-me bem; deve-se tratar de louco Meu pobre Espírito deixando a Terra, Quer subir a Deus, embalado pela prece Que sai do coração, A única, crede-me que escuta o Senhor. Levai-me, pois, sem despesas, sem ruído, sem alarde; E, contrariamente ao uso, Que vossos olhares sejam radiantes! Que em lugar de lágrimas em vossos cantos Retina um ar de alegria! À dúvida deixai a tristeza. Deus, obrigado! nós somos crentes! Não penseis, filhos, que é a economia Que me convida a falar assim! Do dinheiro tive pouca inquietação Durante a minha vida Julgai depois de minha morte! Quero tornar da sorte A balança um pouco mais igual, E desse luxo que se exibe Para dourar a lama do corpo, Para com os infelizes reparar alguns erros. Quero que desse lençol do qual a morte se recobre, Os ornamentos sejam suprimidos. Por uma mesma mão todos nossos dias são ceifados. É a porta do Céu e não a do Louvre Que a São Pedro meu arrependimento Humildemente pede abrir. Que de uma cruz de madeira a muda eloqüência Do Senhor ofendido afaste a vingança, Que a minha alma se eleve em sua simplicidade, E que esse ouro perdido cubra a nudez Da criança, do velho, meus irmãos na vida, Meus iguais na morte, talvez muito nos céus, Aqueles que se ajoelharam cada um suplica, Aqueles que chamamos bem-aventurados! Antes de terminar, um conselho salutar Pode bem encontrar o seu lugar aqui: Que da caridade a tocha vos clareie; Do julgamento dos tolos tomai pouco cuidado. Desse luxo enganador que o orgulhoso exibe Desconfiai sempre. Para o coração nada iguala A alegria do dever cumprido. Do oprimido sustentai a fraqueza; Que vossa alma responda a todo grito de aflição; Que encontre um eco pronto a repeti-la. Que vossa mão, filhos, esteja pronta para aliviar. Com a ajuda do pouco ouro que entre vós partilham, Amontoai tesouros para fazer essa viagem Da qual o Espírito virtuoso, enfim, não retorna mais! Semeai energia benfazeja, recolhei virtudes. Pedi ao Senhor suas mais vivas luzes; Entre os infelizes ide procurar vossos irmãos, E que Deus vos conceda, em sua grande bondade, De não ter outra lei senão o Amor e a Caridade!... |
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