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Fábulas e poesias diversas, por um Espírito batedor

Revista Espírita, novembro de 1862

( Um vol. in-18. - Preço: 2 fr. - A Carcassonne, casa L. Labau, em Paris, casa Ledoyen, no Palais-Royal.).

Embora a tiptologia seja um meio de comunicação muito lento, pode-se, com a paciência, nela obter trabalhos de muito fôlego. O Sr. Jaubert, de Carcassonne, consentiu em nos dirigir uma coletânea de fábulas e poesias obtidas por ele com a ajuda desse procedimento. Se todas não são obras-primas, do que o Sr. Jaubert não poderia se ofender, uma vez que nela não está em nada, há as muito notáveis, à parte o interesse que oferece a fonte de onde elas provêem. Eis aqui uma delas que, embora não fazendo parte da coletânea, pode dar uma idéia do espírito desse Espírito batedor. Ela é dedicada à Sociedade Espírita de Bordeaux, por esse mesmo Espírito.

O monólogo de um asno.

Fábula.

Um Asno, - não confundais,

Eu não meço nunca pessoas de qualidade,

-Um Burro, um verdadeiro

Asno, daqueles que se pode tosquiar

Em uma palavra, um Burro arreado

Na estação, repreendia uma locomotiva.

Seu olhar era brilhante, sua palavra era viva.

"És tu, exclamava, tu que te dizes em repouso!

"Do Carneiro, meu vizinho, se dele creio os propósitos,

"Tu caminhas sem cavalo, sem asno, sem manobrador;

"Ruges arrastando tua imensa cobra,

"Tuas encomendas amontoadas, essa aldeia de madeira;

"Futilidades! no milagre se pôde crer outrora.

"Os tempos estão bem mudados! bem sovado que me zombo!

"Não tomo um trigo por um campo de luzerna;

"Deixo o cardo pelo molho de feno.

"Com os teus pés de ferro, não se vai muito longe.

"Eu me modero; ao bom senso feliz quem se confia.

"Tu! caminhar sem cavalos? sem nós? A isso te desafio.

" O Asno, vede-o, invoca a razão,

Esse facho tão freqüentemente extinto pela arrogância.

Ai! quantos sábios se assemelham ao jumento!

Negai, doutores; negai o Espírito e a sua força;

Negai o movimento, negligenciai o motor.

O homem faz de nada a elétrica luz?

Toda locomotiva tem necessidade de vapor;

Evocam-se os mortos... mas é preciso a prece,

A prece partindo do coração.

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O Médium e o doutor Imbróglio.

Acorrei, aproximai-vos, doutor Imbróglio;

A cura vai sozinha; é patente, é tangível.

- Eu, ver!... quero provar num infólio

Que a coisa não é possível.

Faremos uma nota sobre a qualificação dada ao Espírito que ditou as poesias das quais falamos acima. Os Espíritos sérios repudiam, com razão, a qualidade de Espíritos batedores: este título não convém senão àqueles que poderiam ser chamados batedores de profissão, aos Espíritos levianos ou malévolos, que se servem de pancadas para divertir ou atormentar; as coisas sérias não são de sua alçada; mas a tiptologia é um modo como um outro para as comunicações inteligentes, e da qual os Espíritos mais elevados podem se servir na falta de outro meio, embora prefiram a escrita, como respondendo melhor à rapidez do pensamento. É verdadeiro dizer que, neste caso, não são eles mesmos que batem; eles se limitam a transmitir a idéia, e deixam a execução material para Espíritos subalternos, como um estatuário deixa ao prático o cuidado de cortar o mármore.

__________________

A carta seguinte foi dirigida pelo Sr. Jaubert ao Sr. Sabô, de Bordeaux; estamos felizes por reproduzi-la como prova dos laços que se estabelecem entre os Espíritas de diversas localidades, e para a edificação de pessoas tímidas.

Senhor,

Sou sensível à vossa carta. Aceito com alegria o título que me defere a Sociedade Espírita de Bordeaux; aceito-o como recompensa de meus fracos trabalhos, de minhas convicções profundas, e, por que não dizer tudo? de minhas amarguras passadas. Ainda hoje a fé nova está bastante valorizada; os sábios se insurgem, os ignorantes os seguem, o clero grita ao demônio, e alguns convencidos guardam o silêncio. Neste século de materialismo, de apetites grosseiros, de guerras fratricidas, de afeições cegas, imo-deradas aos reinos deste mundo, Deus intervém; os mortos falam, nos encorajam, nos arrastam; eis por que cada um de nós deve, sem medo, inscrever seu nome sobre a bandeira da santa causa. Somos sempre os soldados do Cristo; proclamamos a grandeza, a imortalidade da alma, os laços palpáveis que ligam os vivos aos mortos; pregamos amor e caridade; que temos a temer dos homens? Ser fraco, é ser culpado. Eis porque, senhor, na medida de minhas forças, aceitei a tarefa que Deus e a minha consciência me impõem. Ainda uma vez, obrigado por me ter admitido entre vós; sede meu intérprete junto de todos os nossos irmãos de Bordeaux, e recebei para vós a segurança dos meus sentimentos mais afetuosos.

J. JAUBERT,

Vice-Presidente do Tribunal Civil.

Nota. - O Espiritismo conta hoje numerosos adeptos das classes da magistratura e dos advogados, assim como entre os funcionários públicos; mas nem todos ousam ainda desafiar o medo da opinião; este temor, de resto, se enfraquece cada dia, e, dentro em pouco, os ridentes serão surpreendidos por terem colocado, sem cerimônia, na classe dos loucos tantos homens recomendáveis por suas luzes e sua posição social.

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