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Subscrição em favor dos operários Lioneses

Revista Espírita, fevereiro de 1862

A Sociedade Espírita de Paris não podia esquecer seus irmãos de Lyon em suas aflições; desde o mês de novembro está empenhada em subscrever, por 260 francos, uma loteria beneficente organizada por vários grupos dessa cidade. Mas o Espiritismo não é exclusivista; para ele todos os homens são irmãos e se devem um mútuo apoio, sem exceção de crença. Querendo, pois, dar seu óbolo à obra comum, abriu, na sede da Sociedade, 59, rua e passagem Sainte-Anne, uma subscrição cujo produto será entregue à caixa da subscrição geral do jornal lê Siècle.

Uma carta de Lyon, dirigida ao Sr. Allan Kardec, informou-lhe que um Espírita anônimo vem de enviar diretamente, para esse efeito, uma soma de 500 francos. Que esse generoso benfeitor, do qual respeitamos o anonimato, receba aqui os agradecimentos de todos os membros da Sociedade.

Um Espírito que se fez conhecer sob o nome característico e gracioso de Carita, e cuja missão parece ser a de chamar a beneficência em socorro do infeliz, consentiu ditar, a esse respeito, a epístola seguinte, que nos foi enviada de Lyon, e que nossos leitores colocarão, sem dúvida, como nós, entre as mais encantadoras produções de além-túmulo. Possa ela despertar a simpatia de todos os Espíritas para seus irmãos sofredores! Todas as comunicações de Carita estão cheias da mesma marca de bondade e de simplicidade. Evocada na Sociedade de Paris, diz ter sido Santa Irene, imperatriz.

AOS ESPÍRITAS PARISIENSES QUE ENVIARAM 500 FRANCOS

PARA OS POBRES DE LYON, OBRIGADA!

"Obrigada! A vós cujo coração generoso soube compreender nosso apelo, e que veio em ajuda de vossos irmãos infelizes. Obrigada! Porque a vossa oferenda vai cicatrizar muitas feridas, entorpecer muitas dores. Obrigada! Uma vez que soubestes adivinhar que, com esse fruto de ouro que enviastes, se vai poder abrandar momentaneamente a fome, e aquecer muitas lareiras extintas há muito tempo.

"Obrigada! Sobretudo pela delicada atenção que tivestes em disfarçar a vossa boa ação sob o manto do anonimato; mas se escondestes esse generoso pensamento de ser úteis aos vossos semelhantes, como a violeta se esconde sob a folha, há um juiz, um senhor para o qual o vosso coração não tem segredo, e que sabe de onde partiu essa benfazeja roseira que veio refrescar mais de uma fronte ardente, e expulsar a miséria tão temida das pobres mães de família. Deus, que tudo vê, conhece o segredo do anonimato, e se encarregará de compensar aqueles que tiveram a inspiração de socorrer as pobres vítimas de circunstâncias independentes de sua vontade. Deus, meus amigos, ama esses incensos de vossos corações que, sabendo compartilhar as dores alheias, sabe também como se pratica a caridade; aprecia, sobretudo, esse devotamento, essa abnegação que recua diante de um agradecimento pomposo e prefere proteger sua modéstia sob simples iniciais; mas deu, a todas as bênçãos que o vosso socorro vai fazer nascer, o nome de benfeitor, porque, todos o sabeis, esses transportes de alegria, sentidos pelos corações socorridos, sobem até Deus, e como vê que esses eflúvios, partidos do reconhecimento, são o resultado de vossos benefícios, leva para o grande livro do Espírito generoso que as fez nascer, a recompensa que disso lhe aparece.

"Se vos fosse dado ouvir essas doces emoções, essas tímidas marcas de simpatia que deixam escapar esses infelizes à vista de mínima peça de dinheiro, maná celeste caído do céu sobre seu pobre reduto; se vos fosse dado assistir a esses gritos infantis do pobre e pequenino ser que compreende que o pão está assegurado por alguns dias, serieis bem felizes e vos diríeis: A caridade é doce e vale muito que se a pratique. É que, vede, é preciso pouca coisa para mudar as lágrimas em alegria, sobretudo entre o trabalhador que não tem o hábito de ver a felicidade visitá-lo com freqüência; se essa pobre formiga que recolhe, migalha a migalha, o pão do dia, acha em seu caminho um pão inteiro no momento em que desesperava de poder dar à sua família a nutrição cotidiana, então, essa fortuna inesperada lhe parece tão incompreensível que, não encontrando expressão para dizer de sua felicidade, deixa escapar algumas palavras sem seqüência, as quais sucedem as lágrimas de emoção. Socorrei, pois, os pobres, meus amigos, esses operários que não têm por última esperança senão a morte no hospital ou a mendicidade no canto de uma rua. Socorrei-os tantos quanto puderdes, a fim de que, quando Deus vos reunir, e que seguindo a longa avenida que conduz à imensa porta sobre o frontispício da qual estão gravadas estas palavras: Amor e Caridade, Deus, reunindo os benfeitores e os agradecidos, dirá a todos: Soubestes dar, fostes felizes em receber; ide, está bem, entrai; que a caridade que vos guiou vos introduza neste mundo radioso que reservo àqueles que tiveram por divisa: "Amemo-nos uns aos outros."

"CARITA."

Nota. - A quem se fará crer que foi o demônio que ditou tais palavras? Em todo o caso, se é o demônio que impele à caridade, não se arrisca sempre nada em fazê-la.

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