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Bibliografia

Revista Espírita, novembro de 1861

O Livro dos Médiuns.

Segunda edição (1-(1) 1 vol., in-12, preço, 3 fr. 50 c.; pelo correio, 4 francos.).

A primeira edição de O Livro dos Médiuns, publicada no começo deste ano, esgotou-se em alguns meses, e aí não está uma das menores marcas características do progresso das idéias Espíritas. Pudemos constatar, por nós mesmos, em nossas excursões, a influência salutar que essa obra exerceu sobre a direção dos estudos Espíritas práticos; também as decepções e as mistificações são muito menos numerosas do que outrora, porque se aprenderam os meios de frustrar a astúcia dos Espíritos enganadores. Esta segunda edição é muito mais completa do que a precedente; encerra numerosas instruções novas muito importantes e vários capítulos novos. Toda a parte que concerne mais especialmente aos médiuns, à identidade dos Espíritos, à obsessão, as perguntas que se podem dirigir aos Espíritos, as contradições, os meios de discernir os bons e os maus Espíritos, a formação das reuniões Espíritas, as fraudes em matéria de Espiritismo, receberam muito notáveis desenvolvimentos, frutos da experiência. No capítulo das dissertações Espíritas, acrescentamos várias comunicações apócrifas, acompanhadas de notas próprias a darem os meios de descobrir a fraude dos Espíritos enganadores, que se ornam com falsos nomes.

Devemos acrescentar que os Espíritos revisaram a obra por inteiro, e que trouxeram numerosas observações do mais alto interesse, de sorte que se pode dizer que ela é obra deles quanto nossa.

Recomendamos com instância esta nova edição, como guia mais completo, seja para o médium, seja para os simples observadores; e podemos afirmar que, seguindo-a pontualmente, evitar-se-ão os escolhos tão numerosos contra os quais tantos novatos inexperientes vão se chocar. Depois de tê-la lido e meditado atentamente, aqueles que forem enganados ou mistificados, seguramente, isso não poderão dever senão a si mesmos, porque tiveram todos os meios de se esclarecer.

O Espiritismo ou Espiritualismo em Metz.

Primeira série de publicações da Sociedade Espírita de Metz (1- (1) Broch. in-8'; preço 1 fr., em Paris, casa Didier et Comp., cate dos Augustins, 35; Ledoyen, Palais-Royal, galeria de Orléans 31; em Metz, casa Verronnais, rua dês Jardins, 14, e casa Warion, rua du Falais, 8.).

Não mencionamos esta publicação senão para lembrança, em nosso último número, propondo-nos a ela retornar. Lemo-la com atenção e não podemos senão felicitar a Sociedade dos Espíritas messinos pelos seus resultados. Ela conta; em seu seio, um grande número de homens esclarecidos que, esperamos, saberão tê-la em guarda contra as armadilhas dos maus Espíritos, que não faltarão em tentar desviá-la do bom caminho no qual está colocada.

Essa publicação não é periódica; a Sociedade de Metz se propõe a dela fazer semelhantes, de tempos em tempos, em épocas indeterminadas, e nela inserirem as melhores comunicações que terão obtido. Esse modo é vantajoso naquilo que não obriga a contratar nenhum compromisso com os assinantes, que é preciso servir, e que as despesas que se fazem são sempre proporcionais.

Todas as comunicações contidas nesta primeira brochura levam a marca eminentemente séria e de uma moralidade irrepreensível; nada notamos nela que fosse o que se poderia chamar ortodoxa do ponto de vista da ciência, e de acordo com o ensino de O Livro dos Espíritos. Sim, senhores, os Espíritas de Metz nos permitam lhes dar um conselho, nós os convidamos a continuar a levar às suas publicações ulteriores a prudente circunspecção que notamos nesta; que se persuadam bem de que publicações intempestivas podem ser mais nocivas do que úteis à propagação do Espiritismo. Contamos com a sabedoria e a sagacidade daqueles que os dirigem para não cederem aos arrastamentos de adeptos mais zelosos do que refletidos; que queiram se lembrar desta máxima: De nada serve correr, é preciso partir a propósito.

As duas comunicações seguintes, extraídas deste primeiro fascículo, podem dar uma idéia do Espírito no qual são feitas.

O fluido universal.

(29 de setembro de 1860.)

O fluido universal liga entre si todos os mundos; e, segundo as correntes que lhe são imprimidas pela vontade do Criador, dá todos os fenômenos da criação. É ele que é a própria vida, e que liga as diferentes matérias do nosso globo; é ele que, pelas propriedades subordinadas à lei, regula as diferentes coisas tão misteriosas, para vós, as afinidades físicas e morais; é ele que vos faz ver o passado, o presente e o futuro, sobretudo quando a matéria que obstrui a vossa alma está anulada ou enfraquecida por uma causa qualquer; então esta dupla vista (se bem que menos desenvolvida que depois da morte), vê, sente e toca tudo, nesse meio fluídico, que é o seu elemento e o espelho exato do que foi, e o será; porque não há senão as partes mais grosseiras desse fluido que sofre modificações sensíveis de composição.

HENRY, antigo Magnetizador.

Efeitos da prece.

(15 de outubro de 1860.)

A prece é uma aspiração sublime, à qual Deus deu um poder tão mágico que os Espíritos a reclamam para si constantemente. Carvalho delicado, que é como um refresco para o pobre exilado sobre a Terra e um arranjo (s/c) frutífero para a alma sentir. A prece age diretamente sobre o Espírito que lhe é o objetivo; ela não muda seus espinhos por rosas, ela modifica sua vida de sofrimento, - nada podendo sobre a vontade imutável de Deus, - imprimindo-lhe esse vôo de vontade que revela a sua coragem, dando-lhe a força para lutar contra as provas e dominá-las. Por esse meio, o caminho que conduz a Deus é abreviado e nada pode, como efeito maravilhoso, ser comparado à prece.

Aquele que blasfema contra a prece não pode ser senão um Espírito ínfimo, de tal modo terrestre e recuado, que não compreende mesmo porque deve agarrar-se a essa tábua de salvação para salvar-se.

Orai: é uma palavra descida do céu, é a gota rósea do cálice de uma flor, é o sustento da roseira durante a tormenta, é a prancha do pobre náufrago durante a tempestade, é o abrigo do mendigo e do órfão, é o berço da criança para dormir. Emanação divina, a prece é que nos liga a Deus pela linguagem, é o que nos interessa; o orar, é o amar; o implorar para seu irmão é um ato de amor dos mais meritórios. A prece que vem do coração tem a chave dos tesouros de graça; é a economia que dispensa os benefícios em nome da infinita misericórdia. A alma elevada para Deus, por um desses impulsos sublimes da prece, livre de seu envoltório grosseiro, se apresenta cheia de confiança diante dele, parece segura de obter o que pede com humildade. Orai, oh! Orai, fazei um reservatório de vossas santas aspirações, que será derramado no dia da justiça. Preparai o celeiro da abundância, tão precioso durante a penúria; escondei o tesouro de vossas preces até o dia escolhido por Deus para distribuir o rico depósito. Amontoai para vós e para os vossos irmãos, o que diminuirá as vossas angústias e vos fará transpor, com mais celeridade, o espaço que vos separa de Deus. Reflete em tua miserável natureza, conta tuas decepções, teus perigos, sonda o abismo tão profundo onde as tuas paixões podem te arrastar, olha ao redor de ti aqueles que caem, e sentirás a necessidade imperiosa de recorrer à prece; é a âncora de salvação que impedirá a ruptura de teu navio, tão transtornado pelas tormentas do mundo.

TEU ESPÍRITO FAMILIAR.

O Espiritismo na América.

Fragmentos traduzidos do inglês

pela senhorita Clémence Guérin (1-(1) Broch. grande in-18, preço, 1 fr., casa Dentu, Palais-Royal, galeria de Orléans.).

O Espiritismo conta na América com homens eminentes que, desde o princípio, julgaram-lhe a importância, e viram nele outra coisa que simples manifestações. Nesse número está o juiz Edmonds, de New York, cujos escritos sobre esse importante assunto são justamente estimados e muito pouco conhecidos na Europa, onde não foram traduzidos. Devemos estar contentes com a Srta. Guérin por nos dar dele uma idéia, por alguns fragmentos que ela publicou em sua brochura, tudo nos fazendo lamentar que ela não haja terminado sua obra com uma tradução completa. Ela juntou-lhe alguns extratos, não menos notáveis, do doutor Hare, de Filadélfia, que, ele também, ousou ser um dos primeiros a afirmar sua fé nas novas revelações.

A srta. Guérin, que mora na América há muito tempo, onde viu se produzirem e se desenvolverem as primeiras manifestações, é um desses Espíritas sinceros, conscienciosos, julgando tudo com calma, sangue-frio, e sem entusiasmo. Temos a honra de conhecê-la pessoalmente, e estamos felizes em poder lhe dar aqui um testemunho merecido de nossa profunda estima. Julgar-se-á, pelos fragmentos seguintes de seu prólogo, que a nossa opinião é justamente motivada.

"Como os Americanos, temos a Fé profunda, a radiosa Esperança, que esta doutrina, tão eminentemente baseada na caridade (não a esmola, mas o amor), é bem aquela que deve regenerar, pacificar o mundo. Jamais a solidariedade fraternal foi demonstrada mais claramente, nem de maneira mais sedutora. Os Espíritos, retornando para nos consolar, nos ajudar, nos instruir, nos indicar, enfim, o melhor uso a fazer de nossas faculdades, tendo em vista o futuro, são tão evidentemente desinteressados que o homem não pode ouvi-los por muito tempo sem sentir o desejo de imitá-los, sem procurar ao seu redor alguém a quem comunicar os benefícios que lhe dispensam generosamente. E o faz com tanto mais boa vontade quanto compreende, enfim, que o seu próprio progresso tem o seu preço, e que não é levado ao seu haver, no grande livro de Deus, senão os atos cumpridos tendo em vista o bem-estar material ou moral de seus irmãos. O que os Espíritos fazem com sucesso, neste momento, foi tentado muitas vezes, sobre a Terra, por corações nobres, por almas corajosas, mas foram e são ainda desconhecidas e abafadas; suspeitam de seu devotamento, e não é pouco que, desaparecendo, tenham alguma chance de serem julgados com imparcialidade. É porque Deus lhes permite continuar a obra depois do que chamamos morte.

"Não é o caso de repetir com Davis: Não temais, irmãos, o erro, sendo mortal, não pode viver; a verdade, sendo imortal, não pode morrer!"

CLÉMENCE GUÉRIN.

A passagem seguinte, do juiz Edmonds, mostrará com que justeza ele entreviu as conseqüências do Espiritismo; não é preciso esquecer que escrevia em 1854, e que nessa época o Espiritismo era jovem ainda na América, como na Europa.

"Que as minhas deduções sejam verdadeiras ou falsas, outros julgarão. Meu objetivo será alcançado se, falando do efeito produzido sobre o meu Espírito por essas revelações, faça nascerem alguns o desejo de procurar também e trazer, por novas luzes, ao estudo desses fenômenos; porque, até aqui, os adversários mais veementes, aqueles que em sua indignação gritam a impostura, são também os mais obstinados em sua recusa de nada ver e ouvir a esse respeito, os mais resolutos a permanecerem numa ignorância completa da natureza dos f atos. Tendo os homens uma reputação de saber, senão de ciência, não temem comprometê-la dando explicações que não satisfazem a ninguém, baseadas que são sobre observações superficiais, feitas com uma leviandade da qual um escolar coraria.

"Não é, entretanto, uma coisa indiferente que esse novo poder, inerente ao homem (connected with man), e que, sem nenhuma dúvida, terá sobre os destinos uma influência considerável, para o bem ou para o mal.

"Já podemos ver que desde a origem, cinco anos apenas, a idéia espiritualista se propagou com uma rapidez que a religião cristã não havia igualado em cem anos; ela não procura os lugares retirados, nem se envolve em mistérios, mas vem abertamente aos homens, provocando seu minucioso exame, não pedindo uma fé cega, mas em todas as circunstâncias recomendando o exercício da razão e do livre julgamento.

'Vimos que as zombarias dos filósofos não puderam desviar um só crente, que os sarcasmos da imprensa, os anátemas do púlpito são igualmente impotentes para deter-lhe o progresso, e sobretudo, já podemos constatar sua influência moralizadora; o verdadeiro crente torna-se sempre mais sábio e melhor (a wiser and a better man), porque lhe está demonstrado que a existência do homem, depois da morte, está positivamente provada. Todos aqueles que seriamente, sinceramente têm levado suas investigações sobre esse assunto, dele receberam provas irrefutáveis. Como poderia isso ser de outro modo? Eis uma inteligência que nos fala todos os dias, é um amigo. (Em geral, os Americanos começam por conversar com seus parentes ou amigos.) Prova sua identidade por mil circunstâncias que não podem deixar nenhuma dúvida, para muitos recordações que só eles podem conhecer. Fala-nos das conseqüências da vida terrestre e nos pinta a vida futura com cores tão racionais, que sentimos que diz a verdade, tanto está conforme a idéia íntima que tínhamos da Divindade e dos deveres que ela nos impõe.

"Não estamos separados pela morte daqueles que amamos, mas estão frenqüentemente perto de nós, nos ajudam e nos consolam pela esperança de uma reunião certa. Quantas vezes ouvi para mim e para os outros! Quantas pessoas desoladas vi acalmadas pela doce certeza que o ser querido "reconduzido pelos laços do amor, volteia ao redor delas, murmura em seu ouvido, contempla a sua alma, conversa com o seu Espírito!"

"A morte se encontra assim despojada desse cortejo de misteriosos e indefinidos terrores, dos quais foi rodeada por aqueles que esperam mais da degradante paixão do medo do que do nobre sentimento de amor.

"Notemos de passagem que, quaisquer que sejam as nuanças no ensino da nova filosofia, todos os seus discípulos se entendem sobre este ponto, que a morte não é um espantalho, mas um fenômeno natural, a passagem a uma existência onde, livre dos mil males da vida material, e dos entraves que o confinam num só planeta, o Espírito pode percorrer a imensidade dos mundos, levantar vôo para as regiões onde a glória de Deus é realmente visível.

"Está igualmente demonstrado (demonstrated) que nos mais secretos pensamentos são conhecidos seres que, tendo-nos amado, continuam a velar por nós. É em vão que se tentaria subtrair-se a essa inquisição terrível por sua benevolência mesmo. Não é possível, disso duvidar, como o quiseram. Estive freqüentemente estupefato e os vi tremerem a essa revelação inesperada, mas irrecusável, que as dobras melhor fechadas da consciência podem ser folheadas por aqueles mesmos aos quais gostaríamos de esconder nossas fraquezas.

"Não está aí um freio salutar contra os maus pensamentos, os atos criminosos, cometidos mais freqüentemente porque o culpado está tranqüilo por estas palavras: Não saberão.. Se alguma coisa pode confirmar esta verdade, tão terrificante para alguns, é a lembrança do que cada um sente depois de uma boa ação, mesmo quando permanece secreta, - um contentamento íntimo não tem nenhum outro comparável. - Aqueles o sabem bem, cuja mão esquerda ignora o que dá a mão direita. É, pois, racional crer que, se nossos amigos podem nos felicitar, eles podem também repreender; se vêem nossos atos meritórios, vêem também nossas ações más.

"A isso não hesitamos em atribuir o fato incontestável e inconteste, que não há um verdadeiro crente que não tenha se tornado melhor.

"De nossa conduta depende o nosso destino futuro, não de nossa adesão a tal ou tal seita religiosa, mas de nossa submissão a este grande preceito: AMAR A DEUS E AO PRÓXIMO... Não devemos adiar a nossa conversão. Nós próprios devemos trabalhar pela nossa salvação, não mais tarde, mas agora; não amanhã, mas hoje.

"O que de mais consolador, de mais fortalecedor para a alma virtuosa, através das provas e das vicissitudes desta vida, do que a certeza completa de que sua felicidade futura depende de suas ações, que pode dirigir.

"De outra parte o vicioso, o mau, o cruel, o egoísta, o egoísta sobretudo, sofrerá por si e pelos outros (self and mutual torment) tormentos mais terríveis do que os do inferno material, tais que a imaginação mais desordenada jamais haja pintado."

ALLAN KARDEC.

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