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Exploração do Espiritismo

Revista Espírita, julho de 1861

A América do Norte reivindica, a justo título, a honra de ser a primeira, nestes últimos tempos, a revelar as manifestações de além-túmulo; por que é necessário que ela seja também a primeira a dar o exemplo do tráfico, e que nesse povo, tão avançado em tantos aspectos, e tão digno de nossas simpatias, o instinto mercantil não seja detido no limiar da vida eterna? Que se leiam seus jornais, e ver-se-ão, em cada página, anúncios como este:

"Mistress S.E. Royers, sonâmbula, médium-médica, cura psicologicamente por simpatia. Tratamento comum, se necessário. -Descrição da aparência, da moralidade e do Espírito das pessoas.

Das dez horas ao meio-dia; das duas às cinco; das sete às dez da noite; às quartas-feiras, sábados e exceto domingos, se não for por, assinatura. Preço 1 dólar por hora (5 fr. 42 c.)."

Pensamos que a simpatia desse médium, pelos seus doentes, deve estar em razão direta do número de dólares que se lhe são pagos. Cremos supérfluo dar os endereços.

"Mistress E.C. Morris, médium escrevente: das dez horas ao meio-dia; das duas às quatro; das sete às nove da noite."

"J.B. Conklin, médium; recebe os visitantes todos os dias e todas as noites nos seus salões. Atende-se a domicilio."

"A.C. Styles, médium lúcido, garante o diagnóstico exato da enfermidade da pessoa presente, sob perda dos honorários. Regras que são estritamente observadas: Para um exame lúcido e as prescrições, quando a pessoa está presente, 2 dol. para descrições psiconométricas dos caracteres, 3 dol. Não esquecer que as consultas são pagas adiantadamente."

"Aos amantes do Espiritualismo. Mistress Beck, médium crisíaca, falante, soletradora, por pancadas e raspaduras. Os verdadeiros observadores podem consultá-la das nove horas da manhã às dez horas da noite, em sua casa. Um médium batedor muito poderoso está associado à mistress Beck."

Crê-se que esse comércio não seja o fato senão de obscuros e ignorantes especuladores? Eis o que prova o contrário:

"O doutor G.A. Redman, médium experimentado, está de volta à cidade de Nova Iorque; é encontrado em seu domicílio onde recebe como outrora."

O tráfico do Espiritualismo estendeu-se até aos objetos usuais; assim é que lemos no Spiritual Telegraph, de Nova Iorque, o anúncio de "fósforos espirituais; nova invenção sem esfregões e sem odor."

O que é mais honroso para o país do que esses anúncios, é o artigo adiante que encontramos no Weekly American, de Baltimore, de 5 de fevereiro de 1859.

"Estatística do Espiritualismo. O Spiritual Register, de 1859, estima o número de Espiritualistas dos Estados Unidos em 1.284.000. Em Maryland há 8.000 deles. O número total no mundo está avaliado em 1.900.000. O Register conta 1.000 oradores espiritualistas, 40.000 médiuns, tanto públicos como privados; 500 livros e brochuras, 6 jornais hebdomadários, 4 mensais e 3 semi-mensais consagrados a essa causa."

Os médiuns especuladores ganharam a Inglaterra; contam-se em Londres vários que não tomam menos de um guinéu por sessão. Esperamos que, se tentarem se introduzir ha Franca, o bom senso dos verdadeiros Espíritas lhes fará justiça.

A produção de efeitos materiais excita mais a curiosidade do que toca o coração; daí, nos médiuns que têm uma aptidão especial para obter esses efeitos, uma propensão a explorar essa curiosidade; aqueles que não têm senão comunicações morais, de uma ordem elevada, têm uma repugnância instintiva por tudo o que cheira a especulação nesse gênero. Há por isso, entre os primeiros, um duplo motivo: é primeiro que a exploração da curiosidade é mais lucrativa, porque os curiosos são muitos em todos os países; em segundo lugar, porque os fenômenos físicos agem menos sobre o moral, há neles menos escrúpulo; sua faculdade é, aos seus olhos, um dom que deve fazê-los viver, como uma bela voz para o cantor; a questão moral é secundária ou nula. Também, uma vez entrados nesse caminho, a atração do ganho desenvolve o gênio da astúcia; como é necessário ganhar seu dinheiro, não se quer falhar na sua reputação de habilidade ficando para trás. Aliás, quem sabe se o cliente que vem hoje virá amanhã? É necessário, pois, satisfazê-lo a todo preço, e se o Espírito não dá nada, vem-se em sua ajuda, o que é muito de outro modo fácil para os fatos materiais do que para as comunicações inteligentes de uma alta importância moral e filosófica; a prestidigitação tem para os primeiros recursos que fazem absolutamente falta para os outros. Eis porque dizemos que, antes de tudo, é necessário considerar a moralidade do médium; que a melhor garantia contra a fraude está no seu caráter, sua honradez, seu desinteresse absoluto; por toda parte onde desliza a sombra do interesse, por mínimo que seja, se está em direito de suspeição. A fraude é sempre culpável, mas quando se prende às coisas da ordem moral, ela é sacrilégio. Aquele que, não conhecendo o Espiritismo senão de nome, procura imitar-lhe os efeitos, não é mais repreensível do que o saltimbanco que imita as experiências do sábio físico; melhor valeria, sem dúvida, que isso não ocorresse, mas em realidade ele não engana ninguém, porque não faz mistério de sua qualidade: não esconde senão os seus meios. De outro modo há aquele que conhece a santidade daquilo que arremeda no ignóbil objetivo de especulação; é mais do que da fraude, é a hipocrisia, porque dá-se por aquilo que não é; é ainda mais culpável se, possuindo em realidade algumas faculdades, delas se servem para melhor abusar da confiança que lhe são concedidas; mas Deus sabe o que lhe reserva talvez desde este mundo. Se os falsos médiuns não fizessem mal senão a si mesmos, não haveria senão semimal; o mais deplorável são as armas que fornecem aos incrédulos, e o descrédito que lançam sobre a coisa no espírito dos indecisos, desde que a fraude é reconhecida. Não contestamos as faculdades, mesmo poderosas, de certos médiuns mercenários, mas dizemos que a atração do ganho é uma tentação de fraude que deve inspirar uma desconfiança tanto mais legítima quanto não se pode ver, nessa exploração, o efeito de um excesso de zelo pelo único bem da coisa. Nisso não haveria mesmo fraude, a sua censura não deveria atingir menos aquele que especula sobre uma coisa tão sagrada quanto as almas dos mortos.

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