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Dissertações EspíritasRevista Espírita, novembro de 1860 Obtidas ou lidas na Sociedade por diversos médiuns. Primeiras impressões de um Espírito(Médium, senhora Costel.) Eu vos falarei da estranha mudança que se opera no Espírito logo depois de sua libertação; ele se evapora do despojo que abandona, como uma chama se destaca do foco que a produziu; depois segue-se uma grande perturbação, e esta estranha dúvida: estou morto ou vivo? A ausência das sensações comuns produzidas pelo corpo o espanta e imobiliza, por assim dizer; assim como um homem habituado a um fardo pesado, a nossa alma, aliviada de repente, não sabe o que fazer da sua liberdade; depois o espaço infinito, as maravilhas sem número dos astros se sucedendo num ritmo harmonioso, os Espíritos diligentes, flutuando no ar, e radiosos de luz sutil que parece trespassá-los, o sentimento da liberdade que inunda de repente, a necessidade de se lançar também no espaço, como os pássaros que querem ensaiar suas asas, eis as primeiras impressões que todos tios sentimos. Não posso vos revelar todas as fases dessa existência; acrescento apenas que, logo satisfeita pelo seu deslumbramento, a alma ávida quer se lançar e subir mais alto, nas regiões da verdadeira beleza, do verdadeiro bem, e essa aspiração é o tormento dos Espíritos sedentos do infinito; como a crisálida, esperam a caída de sua casca; sentem surgir as asas que os levarão, radiosos, ao azul bendito; mas, ainda retidos pelos laços do pecado, lhes é preciso planarem entre o céu e a Terra, não pertencendo nem a um nem a outro. Que são todas as aspirações terrestres, comparadas ao ardor insatisfeito do ser que entreviu um canto da eternidade! Sofrei muito, pois, para chegardes depurados entre nós; o Espiritismo vos ajudará, porque é uma obra bendita; ele une os Espíritos e os vivos, que formam os anéis de uma cadeia invisível, que remonta até Deus. Delphine de Girardin. Os órfãos(Médium, senhora Schimidt). Meus irmãos, amai os órfãos: se soubésseis o quanto é triste estar só e abandonado, sobretudo na infância! Deus permite que haja órfãos para vos convidar a servir-lhes de pais. Que divina caridade ajudar uma pobre pequena criatura abandonada, impedi-la de sofrer da fome e do frio, dirigir sua alma, a fim de que não se desvie no vício! Quem estende a mão a uma criança abandonada é agradável a Deus, porque compreende e pratica a sua lei. Pensai também que, freqüentemente, a criança que socorreis talvez vos tenha sido querida em uma outra vida; e se pudésseis vos lembrar, isso não seria mais caridade, mas um dever. Assim, pois, meus amigos, todo ser sofredor é vosso irmão, e tem direito à vossa caridade; não essa caridade que fere o coração, não essa esmola que queima a mão na qual ela cai, porque os vossos óbolos, freqüentemente, são bem amargos. Quantas vezes seriam recusados se na casa a doença e a fome não os esperassem! Dai delicadamente, acrescentai ao benefício o mais precioso de todos: uma boa palavra, uma carícia, um sorriso de amigo; evitai esse tom de piedade e de proteção que derrama o fel num coração que sangra, e pensai que lhe fazendo o bem, trabalhais por vós e pelos vossos. Jules MORIN. Nota. - O Espírito que assim assina é inteiramente desconhecido; pode-se ver pela comunicação acima, e por muitas outras do mesmo gênero, que nem sempre é necessário um nome ilustre para obter belas coisas. É uma puerilidade se ligar a um nome; é preciso aceitar o bem de qualquer parte que venha; aliás, o número dos nomes ilustres é muito limitado; o dos Espíritos é infinito. Por que, pois, não haveria os tão capazes entre aqueles que não se conhece? Fazemos esta reflexão, porque há pessoas que crêem que nada se pode obter de sublime senão apelando às celebridades; a experiência prova, todos, os dias, o contrário, e nos mostra que se pode aprender alguma coisa com todos os Espíritos, sabendo-se disso aproveitar. De um irmão morto para a sua irmã viva(Médium, senhora Schmidt). Minha irmã, tu não me evocas com freqüência; isso não me impede de vir todos os dias ver-te. Conheço os teus aborrecimentos; a tua vida é penosa, eu o sei, mas é necessário sofrer a sua sorte que nem sempre é alegre. Entretanto, algumas vezes há um alívio nas penas; por exemplo, aquele que faz o bem às custas da sua própria felicidade, pode, por si mesmo e por outros, desviar o rigor de muitas provas. É raro que, nesse mundo, se veja fazer o bem com essa abnegação; sem dúvida é difícil, mas não é impossível, e aqueles que têm essa sublime virtude são verdadeiramente os eleitos do Senhor. Dando-se bem conta dessa pobre peregrinação sobre a Terra, compreender-se-á isso; mas não é assim: Os homens se aferram junto aos bens como se devessem permanecer sempre em seu exílio. Entretanto, o bom senso vulgar, a mais simples lógica, demonstram todos os dias que não se é, nesse mundo, senão aves de passagem, e que aqueles que têm o menos de penas em suas asas são aqueles que chegam mais depressa. Minha boa irmã, para que serve a esse rico, todo esse luxo, todo esse supérfluo? Amanhã será despojado de todos esses vãos ouropéis para descer ao túmulo, e para ele não se levará nada. É verdade que fez uma boa viagem; nada lhe faltou, não sabia mais do que desejar, esgotou as delícias da vida; é verdade também que, em seu delírio, algumas vezes, ele lançou rindo a esmola na mão de seu irmão; mas, para isso, retirou um pedaço da boca? Não; porque não se privou de um único prazer, de uma única fantasia. Esse mesmo irmão, entretanto, é um filho de Deus, nosso pai de todos, a quem tudo pertence. Compreendes, minha irmã, que um bom pai não deserda um de seus filhos para enriquecer um outro? Por isso ele recompensará aquele que está privado da sua parte nessa vida. Assim, pois, aqueles que se crêem deserdados, abandonados e esquecidos, alcançarão logo a margem bendita onde reina a justiça e a felicidade. Mas infeliz daqueles que fizeram um mau uso dos bens que nosso pai lhes confiou! Infeliz também do homem dotado do dom tão precioso da inteligência, se dela abusou! Acredita-me, Marie, quando se crê em Deus, nada há sobre a Terra que possa invejar, senão a graça de praticar as suas leis. Teu irmão WILHELM. O Cristianismo(Médium, Sr. Didier filho). O que é necessário observar no Espiritismo é a moral cristã. Houve muitas religiões desde séculos, muitos cismas, e muitas pretensas verdades; e tudo o que se elevou fora do cristianismo caiu, porque o Espírito santo não o animava. O Cristo resume o que a moral mais pura, a mais divina, ensina ao homem com respeito aos seus deveres nesta vida e na outra. A antigüidade, no que ela tem de mais sublime, é pobre diante dessa moral tão rica e tão fértil. A auréola de Platão empalidece diante da do Cristo, e o copo de Sócrates é bem pequeno diante do imenso cálice do Filho do homem. És tu, ó Sésostris! Déspota do imóvel Egito, que podes te medir, do alto das pirâmides colossais, com o Cristo nascendo numa manjedoura? És tu Solon? És tu Licurgo, cuja lei bárbara condenava as crianças mal formadas, que podeis vos comparar àquele que disse face a face com o orgulho: "Deixai vir a mim as criancinhas?" Sois vós, pontífice sagrado do piedoso Numa, cuja moral queria a morte viva das vestais culpadas, que podeis vos comparar àquele que disse à mulher adúltera: "Levanta-te, mulher, e não peques mais?" Não, não mais que esses mistérios tenebrosos que praticáveis, ó padres antigos! com esses mistérios cristãos que são a base desta religião sublime que se chama cristianismo. Diante dele vós vos inclinais todos, legisladores e sacerdotes humanos; inclinai-vos, porque foi o próprio Deus quem falou pela boca deste ser privilegiado que se chama Cristo. Lamennais. O tempo perdido(Médium, senhorita Huet). Se pudésseis refletir por um instante sobre a perda do tempo, mas nisso refletir bem seriamente, e calcular o erro imenso que fizestes, veríeis o quanto essa hora, esse minuto decorrido inutilmente, e que não podeis recuperar, poderia ser necessário ao vosso bem futuro. Todos os tesouros da Terra não poderiam restituí-la; e se a passastes mal, um dia sereis obrigado a repará-la pela expiação, e talvez de uma maneira terrível! que não daríeis então para recuperar o tempo perdido! Votos inúteis; lamentos supérfluos! Também, pensai bem nisso, está no vosso interesse futuro e mesmo presente; porque, freqüentemente, os lamentos nos chegam sobre a própria Terra. Quando Deus vos pedir conta da existência que vos deu, da missão que tínheis a cumprir, que lhe respondereis? Sereis como o enviado de um soberano, que, longe de cumprir as ordens de seu senhor, passasse o tempo a se divertir e não se ocupasse de nenhum modo do assunto para o qual fora acreditado; que responsabilidade não encontraria em seu retorno? Sois nesse mundo os enviados de Deus, e tereis de dar-lhe conta de vosso tempo passado com os vossos irmãos. Eu vos recomendo esta meditação. Massilon. Os Sábios(Médium, senhorita Hueí). Uma vez que chamais um Espírito a vós, Deus me permite vir, vou vos dar um bom conselho, sobretudo a vós, Sr... Vós que vos ocupais sempre com sábios, porque aí está a vossa preocupação, deixai-os, pois, de lado; que podem eles sobre as crenças religiosas e sobretudo espíritas! Em todos os tempos não repeliram as verdades que se apresentaram? Não rejeitaram todas as invenções, tratando-as de quimeras! Aqueles que as anunciam, essas verdades, uns foram tratados de loucos, e como tais internados; os outros lançados nos calabouços da inquisição, outros lapidados ou queimados. A verdade, mais tarde, não brilhou menos aos olhos dos sábios surpresos que a colocaram sob o alqueire. Em vos dirigindo sem cessar a eles, quereis, novo Galileu, vos infligir a tortura moral que é o ridículo, e ser forçado a retratar as vossas palavras? O Cristo se dirigiu às Academias de sua época? Não; ele pregava a divina moral a todos em geral e ao povo em particular. Por apóstolos e propagadores de sua vinda, escolheu pescadores, pessoas simples de coração, muito ignorantes, que não conheciam as leis da Natureza, e não sabiam se um milagre poderia contrariá-las, mas que criam ingenuamente. "Ide, dizia Jesus, e contai o que vistes." Jamais fez um milagre senão em favor daqueles que o pediam com fé e convicção; recusou-o aos fariseus e aos saduceus que vinham para tentá-lo, e os tratou de hipócritas. Dirigi-vos, pois, a pessoas inteligentes, levadas a crerem; rejeitai os sábios e os incrédulos. De resto, o que é um sábio? Um homem que é mais instruído do que os outros, porque estudou mais, mas que muito perdeu do prestígio que tinha outrora, auréola fatal que, freqüentemente, levaria às honras da fogueira. Mas, à medida que a inteligência popular se desenvolveu, seu brilho diminuiu; hoje o homem de gênio não teme mais ser acusado de feitiçaria; não é mais o aliado de Satã. A Humanidade esclarecida aprecia em seu justo valor aquele que trabalha muito e que sabe muito; sabe colocar sobre o pedestal que lhe convém, o homem de gênio que cria belas obras. Como sabe em que consiste a ciência do sábio, ela não mais o atormenta; como sabe de onde emana o gênio criador, ela se inclina diante dele; mas, por sua vez, quer ter a liberdade de crer em tais verdades que fazem a sua consolação; ela não quer mais que aquele que sabe mais ou menos de química, mais ou menos de retórica, que cria a mais bela ópera, venha entravá-la em suas crenças, lançando-lhe o ridículo à face e tratando suas idéias de loucuras; ela se desviará de seu caminho, e perseguirá silenciosamente a sua rota; a verdade envolverá, um dia, o mundo inteiro, e aqueles que a tenham repelido serão obrigados a reconhecê-la. Eu mesmo que me ocupei do Espiritismo até o meu último dia, sempre o fiz na intimidade. A Academia pouco me importava. Ela virá a nós mais tarde, crede-o. Delphine de Girardin. O homemO homem é um composto de grandeza e de miséria, de ciência e de ignorância; sobre a Terra, ele é o verdadeiro representante de Deus, porque a sua vasta inteligência abarca o universo; soube descobrir uma parte dos segredos da Natureza; sabe servir-se dos elementos; percorre distâncias imensas por meio do vapor; pode conversar com seu semelhante de um antipoda ao outro pela eletricidade que sabe dirigir; seu gênio é imenso; quando sabe depor tudo isto aos pés da divindade e fazer-lhe com isso homenagem, é quase iguala Deus! Mas quanto é pequeno e miserável, quando o orgulho se apodera de seu ser! Ele não vê a sua miséria; não vê que a sua existência, esta vida que não pode compreender, lhe é arrebatada, algumas vezes instantaneamente, tão-só pela vontade dessa Divindade que ele desconhece, porque não pode se defender contra ela; é necessário que a sua sorte se cumpra! Ele que tudo estudou, tudo analisou; ele que conhece tão bem o caminho dos astros, conhece a força criativa que faz germinar o grão de trigo que colocou na terra? Pode criar uma flor, a mais simples e a mais modesta? Não; aí se detém o seu poder. Deveria então reconhecer que há um bem superior ao seu; a humildade deveria se apoderar de seu coração, e em admirando as obras de Deus, faria um ato de adoração. Santa Teresa. Da firmeza nos trabalhos espíritasEu vou vos falar da firmeza que deveis ter em vossos trabalhos espíritas. Uma citação sobre este assunto vos foi feita; eu vos aconselho a estudar de coração, e de vos aplicá-la ao Espírito, porque, do mesmo modo que São Paulo, sereis perseguidos, não mais em carne e osso, mas em Espírito; os incrédulos, os fariseus da época, vos censurarão, zombarão de vós; mas nada temais, isso será uma prova que vos fortificará se souberdes relacioná-la a Deus, e mais tarde vereis os vossos esforços coroados de sucesso; isso será um grande triunfo para vós, à luz da eternidade, sem esquecer que, nesse mundo, já é uma consolação para as pessoas que perderam parentes e amigos; saber que são felizes, que se pode comunicar com eles, é uma felicidade. Caminhai, pois, para a frente, cumpri a missão que Deus nos dá, e ela será contada no dia em que aparecerdes diante do Todo-Poderoso. Channing. Os inimigos do progresso(Médium, Sr. R....) Os inimigos do progresso, da luz e da verdade, trabalham na sombra; preparam uma cruzada contra as nossas manifestações; com isso não tomais nenhum cuidado; sois poderosamente sustentados; deixai-os se agitarem em sua impotência, entretanto, por todos os meios que estão em vosso poder, aplicai-vos em combater, aniquilar a idéia da eternidade das penas, pensamento blasfematório para com a justiça e a bondade de Deus, a mais fecunda fonte da incredulidade, do materialismo e da indiferença que invadiram as massas depois que a sua inteligência começou a se desenvolver; o espírito prestes a se esclarecer, não estivesse senão desbastado, bem depressa compreende a monstruosa injustiça; sua razão a repele e então raramente falta em confundir, no mesmo ostracismo, a pena que o revolta, e o Deus ao qual se a atribui; daí os males sem número que vieram se precipitar sobre vós, e para os quais viemos trazer o remédio. A tarefa que nós vos assinalamos vos será tanto mais fácil quanto mais as autoridades sobre as quais se apoiam os defensores dessa crença evitaram todos de se pronunciarem formalmente; nem os concilies, nem os Pais da Igreja decidiram essa grave questão. Se, segundo os próprios evangelistas, e se tomando ao pé da letra as palavras emblemáticas do Cristo, ele ameaçou os culpados com um fogo que não se extingue, um fogo eterno, e não há absolutamente nada, em suas palavras, que prove que ele haja condenado esses culpados eternamente. Pobres ovelhas desgarradas, sabei ver chegar de longe o bom Pastor, que longe de vos querer banir inteiramente de sua presença, ele mesmo vem ao vosso encontro para vos conduzir ao aprisco. Filhos pródigos, deixai o vosso exílio voluntário; voltai os vossos passos para a morada paterna: o pai vos estende os braços e se mantém sempre pronto a festejar o vosso retorno à família. Lamennais. Distinção da natureza dos Espíritos(Médium, senhora Costel). Quero falar-te das altas verdades do Espiritismo; elas estão estreitamente ligadas às da moral, é, pois, importante jamais dividi-las; primeiro, o ponto que atrai a atenção dos seres inteligentes é a dúvida sobre a própria verdade das comunicações espíritas. A verdade, primeira dignidade da alma, está toda neste ponto de partida; procuremos, pois, estabelecê-lo. Não há meio infalível para distinguir a natureza dos Espíritos, se abdicamos o julgamento, a comparação, a reflexão; estas três faculdades são mais que suficientes para distinguir seguramente os diversos Espíritos. O livre arbítrio é o eixo sobre o qual roda o pivô da inteligência humana; o equilíbrio se romperia se os Espíritos não tivessem senão que falar para submeter os homens; seu poder, então, igualaria o de Deus: isso não pode ser assim; o intercâmbio entre os humanos e os invisíveis assemelha-se à escada de Jacó; se permite a uns subir, deixa os outros descerem; e todos agindo, uns sobre os outros, sob o olhar de Deus, devem caminhar para ele, no mesmo espírito de amor e de inteligente submissão. Eu aflorei este assunto e vos aconselho aprofundá-lo sob todas as suas faces. LAZARRE. Scarron(Médium, senhorita Huet). Meus amigos, fui bem infeliz sobre a Terra, porque meu Espírito era igual, e algumas vezes superior àqueles das pessoas que me cercavam; mas o meu corpo estava abaixo. Também o meu coração estava ulcerado pelos sofrimentos morais, e pelos males físicos, que puseram meu envoltório terrestre num estado piedoso e miserável. Meu caráter era irritado pelas enfermidades e as contrariedades que senti no comércio de meus amigos. Deixei-me conduzir à malignidade mais cáustica; era alegre e sem desgosto em aparência; entretanto, sofria bem no fundo do meu coração; e quando estava só, entregue aos secretos pensamentos de minha alma, eu gemia por estar assim em luta entre o bem e o mal. O mais belo dia de minha existência foi aquele em que meu Espírito se separou do meu corpo; onde, esse primeiro, leve e iluminado por raio divino, lançou-se para as esferas celestes. Parecia-me que renascia, e a felicidade se apoderou de meu ser: eu repousava enfim! Mais tarde, minha consciência despertou, reconheci os erros que tinha para com o meu criador; senti remorsos, e implorei a piedade do Todo-Poderoso. Desde esse tempo, procuro me instruir no bem; tento me tornar útil aos homens, e progride cada dia. Entretanto, tenho necessidade que se ore por mim, e peço aos crentes fervorosos elevarem em meu favor seus pensamentos a Deus. Se me chamam a eles, trato de vir algumas vezes e de responder às suas perguntas tanto quanto o possa. Assim se pratica a caridade. PAUL SCARRON. O nada da vida(Médium, senhorita Huet). Meus bons amigos de adoção, permiti-me vos dizer, algumas palavras, como conselhos. Deus me permite vir a vós; quanto não posso vos comunicar todo ardor que tinha em meu coração, e que me animava para o bem! Crede em Deus, o autor de todas as coisas; amai-o; sede bons e caridosos; a caridade é a chave do céu. Para vos tornar bons, pensai algumas vezes na morte; é um pensamento que eleva a alma e a torna melhor, tornando-a humilde; porque, o que se é sobre a Terra? Um átomo lançado no espaço; bem pouca coisa no universo. O homem não é nada, ele faz número. Quando olha diante de si, quando olha para trás, é ainda o infinito; sua vida, por longa que seja, é um ponto na eternidade. Pensai então em vossa alma, pensai na vida nova que vos espera, porque não podeis duvidar que haja uma, quando isso não seria senão os desejos de vossa alma que jamais foram satisfeitos, o que é uma prova de que devem estar num mundo melhor. Até breve. S. Swetchine. Aos Médiuns(Médium, Sr. Darcol). Quando quiserdes receber comunicações de bons Espíritos, importa vos preparar para esse favor pelo recolhimento, pelas santas intenções e pelo desejo de fazer o bem tendo em vista o progresso geral; porque, lembrai-vos, que o egoísmo é uma causa de retardamento a todo adiantamento. Lembrai-vos que se Deus permite, a alguns dentre vós, receber o sopro de certos de seus filhos que, pela sua conduta, souberam merecer a honra e compreender a sua bondade infinita, é que ele quer muito, pela nossa solicitação, e em vista de vossas boas intenções, vos dar os meios para avançar em seu caminho; assim, pois, médiuns! aproveitai essa faculdade que Deus muito vos quer conceder. Tende fé na mansuetude de vosso Senhor; tende a caridade sempre em prática; não deixeis jamais de exercer esta sublime virtude, assim como a tolerância. Que sempre as vossas ações estejam em harmonia com a vossa consciência, é um meio certo para centuplicar a vossa felicidade nesta vida passageira, e vos preparar uma existência mil vezes mais doce ainda. Que o médium dentre vós que não sinta mais a força de perseverar no ensinamento espírita, se abstenha; porque não aproveitando a luz que o esclarece, será menos desculpável que um outro, e terá que expiar a sua cegueira. François de Salles. A honestidade relativa(Médium, senhora Costel). Ocupar-nos-emos hoje da moralidade daqueles que não a tem, quer dizer, a honestidade relativa que se encontra nos corações mais pervertidos. O ladrão não rouba o lenço de seu camarada, mesmo quando este tenha dois; o comerciante não pede preço exagerado ao seu amigo; o traidor é fiel quando ao menos a um ser qualquer. Nunca a luz divina está completamente ausente do coração humano, também deve-se conservá-la com cuidados infinitos, senão desenvolvê-la. O julgamento estreito e brutal dos homens impede, pela sua severidade, muito mais bons retornos quanto não preserva de más ações. O Espiritismo desenvolvido deve ser, e será a consolação e a esperança de corações enfraquecidos pela justiça humana. A religião, cheia de ensinamentos sublimes, plana muito acima para os ignorantes; ela não ataca muito diretamente a espessa imaginação do iletrado que quer ver e tocar para crer. Esclarecida pelos médiuns, médium ele mesmo, a crença florescerá nesse coração seco. Também é, sobretudo, ao povo que os verdadeiras espíritas devem se dirigir como outrora os apóstolos; que eles divulguem a doutrina consoladora; como pioneiros que se enfiam nos pântanos da ignorância e do vício para roçar, sanear, preparar o terrenos das almas, a fim de que elas possam receber a bela cultura do Cristo. Georges. Proveito de conselhos(Médium, senhorita Huet). Aproveitais dos nossos conselhos e do que vos dizemos cada dia? Não; muito pouco. Saindo de uma de vossas reuniões vos entreteis com a curiosidade do fato; do maior ao menor interesse que ela oferece aos assistentes; mas não há um entre vós que se pergunte se pode se aplicar a moral, o conselho que acabamos de prescrever e se está na intenção de fazê-lo, ele pediu, solicitou uma comunicação; a tem: isso basta-lhe. Volta às suas ocupações diárias em se prometendo rever um espetáculo tão interessante; conta os fatos aos seus amigos, a fim de excitar a sua curiosidade, e somente para provar que os sábios podem ser confundidos; bem poucos o fazem com o objetivo de pregar a moral; bem poucos mesmo procuram se melhorar. A minha lição é severa; não quero, todavia, desencorajar; trazei sempre boa vontade, somente um pouco mais de bons sentimentos a Deus, e menos inveja em querer aniquilar aqueles que não querem crer: isto olha o tempo e Deus. MARIE. (Espírito familiar.) Pensamentos destacadosOh homens! que sois soberbamente orgulhosos! A vossa pretensão é verdadeiramente cômica, quereis tudo saber, e vossa essência se opõe, sabei-o, a essa faculdade de compreensão universal. Não chegais a conhecer essa maravilhosa natureza senão pelo trabalho perseverante; não tereis alegria de aprofundar esses tesouros e de entrever o infinito de Deus senão vos melhorando pela caridade, e fazendo todas as coisas do ponto de vista do bem para todos, e relacionando essa faculdade do bem a Deus que, em sua generosidade que nada pode igualar, vos recompensa por ela além de toda suposição. MASSILLON. O homem é o joguete dos acontecimentos, diz-se freqüentemente; de quais acontecimentos se quer falar? Quais seriam as suas causas, o seu objetivo? Nunca se viu o dedo de Deus. Esse pensamento vago e materialista, mãe da fatalidade, tem desviado mais de Espírito, mais de uma profunda inteligência. Balzac disse, vós o sabeis: "Não há princípios; não há senão os acontecimentos;" quer dizer, segundo ele, o homem não tem mais o livre arbítrio; a fatalidade o toma no berço e o conduz até o túmulo; monstruosa invenção do Espírito humano! Este pensamento abate a liberdade; a liberdade, quer dizer, o progresso, a ascensão da alma humana, demonstração evidente da existência de Deus. Se o homem se deixasse pois, conduzir, seria escravo de tudo: dos homens e de si mesmo! Ó homem! Desce em ti; nasceste para a servidão? Não; nasceste para a liberdade. LAMENNAIS. |
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