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Bibliografia

Revista Espírita, novembro de 1860

Carta de um católico sobre o Espiritismo

Pelo doutor GRAND, antigo vice-cônsul da França (1)

(1) Br grand in-18, preço 1 fr., e para o correio 1 fr. 15cen?., casa Ledoyen, livreiro-editor, Palais-Royal. 31, galeria de Orléans, e no escritório da Revista Espírita.)

O autor dessa brochura se propôs provar que se pode ser, ao mesmo tempo, bom católico e fervoroso Espírita; sob este aspecto, ele prega pela palavra e pelo exemplo, porque é sinceramente uma e outro. Estabelece por fatos e por argumentos de uma rigorosa lógica, a concordância do Espiritismo com a religião, e demonstra que todos os dogmas fundamentais encontram, na Doutrina Espírita, uma explicação de natureza a satisfazer a razão mais exigente, e que a teologia em vão se esforça em dar; de onde conclui que se esses mesmos dogmas fossem ensinados dessa maneira encontrariam bem menos incrédulos e que, portanto, a religião devendo ganhar com essa aliança, um dia virá que, pela força das coisas, o Espiritismo estará na religião, ou a religião no Espiritismo.

Parece-nos difícil que, depois da leitura desse pequeno livro, aqueles que os escrúpulos religiosos afastam ainda do Espiritismo, não sejam conduzidos a uma apreciação mais sadia da coisa. Há, aliás, um fato evidente, é que as idéias espíritas caminham com uma tal rapidez que se pode, sem ser adivinho ou feiticeiro, prever o tempo em que serão tão gerais que, bom grado, malgrado, será necessário muito contar com elas; tomarão direito de cidadania sem necessidade da permissão de ninguém, e dentro em pouco se reconhecerá, se já não se fez, a impossibilidade absoluta de deter-Ihe o curso. As diatribes mesmo lhe dão um impulso extraordinário, e não se poderia crer no número de adeptos que fez, sem o querer, o Sr. Louis Figuier com a sua Historie du merveilleux, onde ele pretende tudo explicar pela alucinação, ao passo que, em. definitivo, não explica nada, porque sendo o seu ponto de partida a negação de todo poder fora da humanidade, sua teoria material não pode resolver todos os casos. Os gracejos do Sr. Oscar Comettant não são razões: ele faz rir, mas não é às custas dos espíritas. O impudente e grosseiro artigo da Gazette de Lyon, não faz de errado senão a si mesmo, porque todo o mundo o julgou como merecia sê-lo. Depois da leitura da brochura de que falamos, que dirão aqueles que ainda ousam avançar que os espíritas são ímpios, e que a sua doutrina ameaça a religião? Eles não prestam atenção que dizendo isso fazem crer que a religião é vulnerável; ela seria bem vulnerável, com efeito, se uma utopia, uma vez que, segundo eles, ela é uma, poderia comprometê-la. Não tememos dize-lo, todos os homens sinceramente religiosos, e nós entendemos por isso aqueles que o são mais pelo coração do que pelos lábios, reconhecerão no Espiritismo uma manifestação divina, cujo objetivo é reavivar a fé que se extingue.

Recomendamos com instância essa brochura a todos os nossos leitores, e cremos que farão uma coisa útil procurando propagá-la.

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