Portal do Espírito |
|
Mapa do Site | Pesquisa no Site |
Ditados Espontâneos e Dissertações EspíritasRevista Espírita, agosto de 1860 Obtidos ou lidos nas sessões da Sociedade. Desenvolvimento das idéiasA propósito da evocação de Thirolier. ( Médium, senhora Costel.) Vou falar-vos da necessidade de reunir os elementos diversos do Espírito para formar um todo. É uma ilusão comum crer que uma aptidão especial não tem necessidade, para se desenvolver, senão do estudo especial; não; o Espírito humano, como um rio, se engrossa com todos os afluentes. O homem não deve se isolar em seu trabalho, quer dizer, ele deve, petos contrastes mais opostos, fazer jorrar a seiva das idéias. A originalidade é o contraste das idéias-mães; é uma das mais raras superioridades; desde a infância, ela é abafada pela regra absurda que abaixa todos os Espíritos sob o mesmo nível. Eu vou explicar a minha idéia. Thirolier, que se acaba de evocar, era um inventor apaixonado, uma inteligência ativa; mas ele mesmo se limitou na esfera da invenção, quer dizer, na idéia fixa. Nunca se punha à janela para ver passar as idéias dos outros; também, permaneceu prisioneiro de seu próprio cérebro; o gênio flutuava em torno dele; encontrando todas as saídas fechadas, deixou a loucura, sua irmã, penetrar e invadir a praça tão bem guardada; e Thilorier, que deveria deixar um nome imortal, não vive senão na lembrança de alguns sábios. Georges. (Espírito familiar). Dissimulações Humanas(méd., senhora Costel.) Eu vos falarei da necessidade singular que têm os melhores Espíritos de se misturar sempre com coisas que lhes são as mais estranhas; por exemplo, um excelente comerciante não duvidará um instante de sua aptidão política, e o maior diplomata porá do amor-próprio para decidir as coisas mais frívolas. Esse erro, comum a todos e a todas, não tem outro móvel senão a vaidade e esta não tem senão necessidades factícias; para o toucador, para o espírito, mesmo para o coração, ela procura, antes de tudo o falso, vicia o instinto do belo e do verdadeiro; conduz as mulheres a desnaturarem a sua beleza; persuade os homens a procurarem precisamente o que lhes é mais nocivo. Se os Franceses não tivessem esse erro, seriam, uns os mais inteligentes do mundo, os outros os mais sedutores de Evas conhecidos. Não tenhamos, pois, essa absurda humildade; tenhamos a coragem de sermos nós mesmos; de carregar a cor de nosso Espírito, como a de nossos cabelos. Mas os tronos desabarão, as repúblicas se estabelecerão, antes que um Francês leviano renuncie às suas pretensões à gravidade, e uma Francesa às suas pretensões à solidez; dissimulação contínua, onde cada um toma o costume deu ma outra época, ou mesmo, muito simplesmente, ode seu vizinho; dissimulação política, dissimulação religiosa, onde todos, arrastados pela vertigem, vos procurais perdidamente, não encontrando nesse tumulto nem o vosso ponto de partida, nem o vosso objetivo. Delphine de girardin. O Saber dos Espíritos(Méd., senhorita Huet.) No estudo do Espiritismo há u m erro muito grave, que se propaga cada dia mais, e que se torna quase o móvel que manda vir a nós, e é que nos crêem infalíveis em nossas respostas; pensa-se que devemos tudo saber, tudo ver, tudo prever. Erro! Grande erro! Certamente, não estando mais nossa alma encerrada num corpo material, como um pássaro numa gaiola, lança-se no espaço; os sentidos dessa alma se tornam mais finos, mais desenvolvidos; vemos melhor, entendemos melhor; mas não podemos saber tudo, não podemos estar por toda a parte, não temos mesmo o dom de ubiqüidade, que diferença haveria, pois, de nós a Deus, se nos fora permitido conhecer o futuro e anunciá-lo pontualmente? Isto é impossível. Certamente, sabemos mais do que os homens; algumas vezes podemos ler no pensamento e no coração daqueles que nos falam, mas aí se detém a nossa ciência espírita. Corrigi-vos, pois, da idéia de nos interrogar unicamente para saber o que se passa sobre tal ou tal parte do vosso globo, com relação a uma descoberta material, comercial, ou para serem advertidos do que acontecerá amanhã, nos assuntos políticos e industriais; nós vos informaremos sempre sobre o nosso estado, sobre a nossa existência incorpórea, sobre a bondade e a grandeza de Deus, enfim, sobre tudo o que possa servir à vossa instrução e à vossa felicidade, presente e futura, mas não nos pergunteis o que não podemos ou não devemos vos dizer. CHANNING. Origens(Méd., senhora Costel.) No princípio era o Verbo, e o Verbo estava em Deus. Assim se anuncia o Evangelho de São João; quer dizer, no começo era o princípio, e o princípio era Deus, o Criador de todas as coisas que não hesitou mais na formação do homem que na do globo. Ele o criou tal como é hoje, dando-lhe, ao sair de suas mãos, o livre arbítrio e o poder de progredir. Deus disse à mãe: Tu não irás mais longe; ao contrário, disse aos homens, em lhes mostrando o Universo: Tudo isto é para vós; trabalhai, desenvolvei, descobri os tesouros em germe, semeados por toda a parte: no ar, nas ondas, no seio da Terra; trabalhai e amai; não duvideis da vossa origem divina, ela é direta; sois os frutos de um lento progresso; não passastes pela fieira animal; sois positivamente os filhos de Deus. Então, de onde provém o pecado? O pecado é criado pelas nossas faculdades, ele é o avesso e o exagero. Não houve um primeiro homem, pai do gênero humano, mais que não houve um sol para para iluminar o Universo. Deus abriu a sua grande mão, e espalhou, com a mesma profusão, a raça humana sobre os mundos e as estrelas nos céus; os Espíritos animados por seu sopro logo revelaram a sua existência aos homens, bem antes os profetas que conheceis; outros enviaram desconhecidos, tendo esclarecido as almas ignorantes delas mesmas. Ao mesmo tempo que os homens, os animais foram criados; estes, dotados de instintos, mas não de inteligência progressiva. Também conservaram os tipos primitivos, e, salvo a educação individual, são os mesmos que no tempo dos patriarcas. Os cataclismos dos dilúvios, porque não ocorreu um só, mas vários, fizeram desaparecer raças inteiras de homens e de animais; são conseqüências geológicas que vos ameaçam ainda. Os homens descobrem, mas não inventam nada, assim, as crenças mitológicas não eram puras ficções, mas as revelações de Espíritos inferiores; os sátiros, as faunas, eram Espíritos secundários, habitando os bosques e os campos, como o fazem ainda hoje; era-lhes permitido, então, se manifestarem mais freqüentemente aos olhos do homens, porque o materialismo não estava depurado pelo cristianismo e o conhecimento de um Deus único. O Cristo destruiu o império dos Espíritos inferiores, para estabelecer o do Espírito sobre a Terra. Esta é a verdade, eu o afirmo em nome de Deus todo-poderoso. Lazare. O futuro(Méd., Sr Coll.) O Espiritismo é a ciência de toda a luz; feliz a sociedade que o coloque em prática! Será então somente que a idade de ouro, ou melhor, a era do pensamento celeste reinará entre vós. E não credes que, com isso, tendes menos satisfações terrestres; bem ao contrário, tudo será felicidade para vós, porque nesse tempo a luz vos fará ver a verdade sob o seu mais agradável dia; o que os homens ensinarão não será mais essa ciência capciosa que vos faz ver, sob a máscara enganadora do bem geral ou de um bem a vir, no qual, freqüentemente, os próprios ensinamentos não têm nenhuma confiança, e a mentira e a cupidez, a inveja de tudo ter, em proveito de uma seita, e, algumas vezes, em proveito de um só. Os homens, sem dúvida, nesse tempo, compreenderão o trabalho, e todos chegarão à riqueza, porque não desejarão o supérfluo senão para poderem fazer grandes obras em proveito de todos. O amor, esse nome divino, não terá mais a aceitação impura que lhe dais; todo sentimento pessoal desaparecerá diante deste ensinamento suave, contido nestas palavras do Cristo: Amai-vos uns aos outros, como a vós mesmos. Chegados a esta crença, todos sereis médiuns; todos os vícios que degradam a vossa Sociedade desaparecerão; tudo se tornará luz e verdade; o egoísmo, esse verme roedor e retardatário de todo o progresso, que abafa todo sentimento fraternal, não mais terá presa sobre as vossas almas; vossas ações não terão mais por móvel a cupidez e a luxúria; amareis vós, a vossa mulher, porque ela terá a alma boa, e vos quererá, porque verá em vós o homem escolhido por Deus para proteger a sua fraqueza, e que ambos vos ajudareis a suportar as provas terrestres, e sereis os instrumentos votados à propagação de seres destinados a se melhorarem, a progredirem, a fim de chegarem a mundos melhores, onde podereis, por um trabalho mais inteligente ainda, chegar até o nosso supremo benfeitor. Ide, Espíritas! Perseverai; fazei o bem; desprezeis docemente os escarnecedores; lembrai-vos de que tudo é harmonia na Natureza, que a harmonia está nos mundos superiores, e que, apesar de certos Espíritos fortes, tereis também a vossa harmonia relativa. SÃO LUÍS A Eletricidade espiritual(Méd., Sr. Didier filho.) O homem é um ser bem singular e bem fraco ao mesmo tempo; singular neste sentido, que no meio dos fenômenos que o cercam, não segue menos o seu curso comum, espiritualmente se entende; fraco neste sentido, que depois de ver, depois de ser tocado, sorri, porque o seu vizinho sorriu, e não pensa mais nisso; e notai que falo aqui não de seres vulgares, sem reflexão, sem aquisição; não, falo de pessoas inteligentes, na maioria, esclarecidas. De onde vem esse fenômeno? Porque eu nele refletindo, é um momento moral. Pois bem! O Espírito começou a agir sobre a matéria, pelo magnetismo e a eletricidade; entrou em seguida no coração mesmo do homem, e o homem disso não percebeu! Estranha cegueira! Cegueira, não produzida por uma causa estranha, mas voluntária, saída do Espírito; o Espiritismo veio em seguida; deu uma comoção ao mundo e o homem publicou livros muito sábios, em dizendo: é uma causa natural, é muito simplesmente eletricidade, uma lei física, etc.: e o homem ficou satisfeito; mas, ficai disto certos, o homem terá muitos livros ainda a escrever, antes de poder compreender o que há de escrito no livro da Natureza: o livro de Deus. A eletricidade, essa nuança entre o tempo e o que não é mais o tempo, entre o finito e o infinito, o homem ainda não pode defini-la; por quê? Sabei-o: não podereis defini-la senão pelo magnetismo, essa manifestação material do Espírito; não conheceis ainda senão a eletricidade material; mais tarde, conhecereis também a eletricidade espiritual, que não é outra senão o reino eterno da idéia. LAMENNAIS. Desenvolvimentos sobre a comunicação precedente1a Teríeis a bondade de nos dar alguns desenvolvimentos sobre certas passagens do vosso último ditado, que nos parecem um pouco obscuras? - R. O que puder fazer neste tempo, eu o farei. 2a Dissestes: a eletricidade, essa nuança entre o tempo e o que não é mais o tempo, entre o finito e o infinito', esta frase não nos parece muito clara; quereis ter a bondade de desenvolvê-la? - R. Eu a explico deste modo, o mais simples que posso achar. Para vós o tempo não é, não é isso? Para nós, ele não é mais; a eletricidade, eu a defino assim: essa nuança entre o tempo e o que não é mais o tempo, porque essa parte do tempo da qual era necessário outrora vos servir para vos falar de um canto do mundo ao outro, essa porção de tempo, digo eu, não existe mais; mais tarde virá esta eletricidade que não será outra senão o pensamento do homem, atravessando o espaço; não é, com efeito, a imagem, a mais impressionante, entre o finito e o infinito, entre o pequeno meio e o grande meio? Quero dizer, em uma palavra, que a eletricidade suprime o tempo. 3a Mais longe dissestes: não conheceis ainda senão a eletricidade material; mais tarde, conhecereis também a eletricidade espiritual; entendeis com isso os meios de comunicação de homem a homem, por via medianímica? - R. Sim, como progressos médios; virá outra coisa mais tarde; dai aspirações aos homens: ele adivinha primeiro, e vê em seguida. |
Página principal | Mapa do Site | Pesquisa no Site |
![]() |