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Conselhos de famíliaRevista Espírita, fevereiro de 1860 Continuação. (Ver o nº de janeiro. - Lida na Sociedade em 20 de janeiro de 1860.) Meus caros filhos, em minhas precedentes instruções vos aconselhei a calma e a coragem, e, todavia, não mas mostrastes o quanto o devíeis. Pensais que o lamento não acalma jamais a dor, que ele tende, ao contrário, a aumentá-la. Um bom conselho, uma boa palavra, um sorriso, mesmo um gesto, dão a força e a coragem. Uma lágrima enfraquece o coração em lugar de fortalecê-lo. Chorai, se o coração a isso vos impele, mas que isso seja antes no momento de solidão que em presença daqueles que têm necessidade de toda sua força e de toda sua energia, que uma lágrima ou um suspiro pode diminui ou enfraquecer. Todos temos necessidade de encorajamentos, e nada é mais próprio para nos encorajar do que uma voz amiga, que um olhar benevolente, que uma palavra saída do coração. Quando vos aconselhei vos reunir, não foi para que unísseis vossas lágrimas e vossas amarguras, não foi para vos excitar à prece, que não prova senão uma boa intenção, mas bem para que unísseis vossos pensamentos, vossos esforços mútuos e coletivos; para que vos désseis mutuamente bons conselhos, e procurásseis em comum, não o meio de vos entristecer, mas a marcha a seguir para vencer os obstáculos que se apresentem diante de vós. Em vão o infeliz que não tem pão se lançará de joelhos para pedir a Deus, a substância que não lhe cairá do céu; mas que ele trabalhe, e por pouco que obtenha, lhe valerá mais que todas as suas preces. A prece mais agradável a Deus é o trabalho útil qualquer que seja. Eu o repito, a prece não prova senão uma boa intenção, um bom sentimento, mas não pode produzir senão um efeito moral, uma vez que é toda moral. Ela é excelente como uma consolação da alma, porque a alma que ora sinceramente encontra na prece um alívio de suas dores morais: fora desses efeitos e daqueles que decorrem da prece, como vos expliquei em outras instruções, não espereis nada, porque vos frustraríeis em vossa esperança. Segui, pois, exatamente meus conselhos; não vos contenteis em pedir a Deus para vos ajudar, ajudai-vos vós mesmos, porque será assim que provareis a sinceridade de vossa prece. Seria muito cômodo, em verdade, que bastasse pedir uma coisa em suas preces para que ela fosse concedida! Seria o maior encorajamento à preguiça e à negligência das boas ações. Eu poderia, sobre este assunto me estender mais, mas isso seria muito para vós: vosso estado de adiantamento não o comporta mais ainda. Meditai sobre esta instrução, como sobre as. precedentes, elas são de natureza a ocuparem por muito tempo os vossos espíritos, porque contêm, em germe, tudo o que vos será desvendado no futuro. Segui meus precedentes conselhos. ALLAN KARDEC. |
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