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O Esperanto e as ReligiõesNeusa Priscotin Mendes de Ribeirão Preto, SP O Esperanto teve o seu nascimento no plano encarnado impreterivelmente vinculado a valores espirituais e éticos da Humanidade: a Paz, a Solidariedade, a Fraternidade, a Igualdade, a Justiça e a Dignidade Humana. Zamenhof, que após exaustivo e absorvente trabalho de construção da Língua Internacional, outorgou a si mesmo apenas o título de iniciador da mesma, chegou a afirmar que a via como um meio, e não um fim, como um recurso para atingir o fim maior, a concretização da fraternidade e do respeito entre os povos, facilitados pela compreensão recíproca conquistada a partir do uso de uma língua comum neutra, que não viria a substituir as línguas nacionais, mas sim a valorizá-las igualmente, respeitando o direito lingüístico como um dos direitos humanos inalienáveis. Zamenhof viu na língua o meio de estabelecer as bases de relações pacíficas entre os povos, evitando os deprimentes espetáculos de lutas fratricidas tantas vezes inumanamente cruéis, ferozes e sangrentas. Grupos humanos interessados em desenvolver o aspecto utilitário da Língua Internacional, naturalmente tendem a não dar destaque a essa interface idealista do Esperanto, motivados e interessados que estão em fomentar o seu lado prático, o seu aspecto de interlíngua. A esses grupos compreensivelmente não pertencem as religiões. É justamente nos ideais éticos e espirituais que se estabelecem os pontos de convergência do Esperanto com todas elas. Por isso, todas as grandes religiões o apóiam e divulgam. O Movimento Esperantista organizado, que tem como instância máxima a UEA, (Universala Esperanto-Asocio), segundo o estatuto que o coordena, é neutro do ponto de vista político e religioso. Fiel a esse princípio de neutralidade, a Associação Universal de Esperanto não apóia nenhuma religião em particular, mas apóia a adoção do Esperanto por qualquer que seja, reconhecendo o trabalho sério de qualquer delas. Citaremos atividades relativas a essa língua em diversas religiões. O Vaticano mantém um programa de rádio em Esperanto, a exemplo de diversas outras línguas. O papa já fez diversos pronunciamentos na Língua Internacional. Circula nos meios católicos em geral a revista “Espero Katolika” (Esperança Católica), sendo que existem edições também de menor porte de outros periódicos. Os luteranos mantêm em Esperanto a revista “Dia Regno” (Reino Divino). A Oomoto, religião nascida no Japão, tem traduzido seus livros sagrados para o Esperanto e mantém uma revista nesta língua: “Oomoto”. Vale a pena salientar que a segunda maior comunidade Oomoto fora do Japão é a brasileira, e que a tradução de seus livros sagrados para o Português para atender tal comunidade, estão sendo feitas do Esperanto, não do Japonês! A religião Bahai também utiliza o Esperanto e o apóia. As revistas citadas têm a assinatura oferecida pelas instituições esperantistas dos países, a quem quer que esteja interessado. O Espiritismo têm traduzido já um enorme contingente de livros das obras básicas e subsidiárias em Esperanto, tem trabalhado com e por ele, dentro de suas próprias fileiras, e já colheu diversos frutos de sua divulgação a povos falantes de outras línguas, tendo-o utilizado como língua ponte. Está introduzindo o Esperanto como língua de trabalho em suas relações internacionais, tendo planejado a realização do Congresso Internacional de 2004 nesta língua e em Francês apenas, pois a França é quem sediará o Congresso. Sem dúvida a idéia interna do Movimento Esperantista, trabalhando pelos valores e direitos humanos, estabelece convergência com as religiões naquilo que elas tem em comum: a lei evangélica maior de amor ao próximo. (Jornal Verdade e Luz Nº 186 de Julho de 2001) |
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