Portal do Espírito

Mapa do Site | Pesquisa no Site
Página principal » Artigos » GEAE

Espiritualidade nas empresas

Rogério Moreira Jacobsen

Intuito do estudo

Inicialmente, gostaríamos de explicar a origem do nosso estudo e seu objetivo. No meio espírita vivemos falando na transformação do nosso mundo. Um planeta de expiação e provas que está prestes a se tornar um planeta de regeneração. Uma vida bem melhor para a humanidade está por vir.

É curioso, no entanto, que muitos ainda vivamos de forma dividida entre o nosso lado espiritual e material. Por mais que tentemos incorporar, ao nosso cotidiano, a nossa maneira de pensar associada aos conceitos da doutrina espírita e da caridade, nem sempre tal atitude consiste em uma tarefa fácil. Atribulações e conflitos do nosso dia-a-dia acabam nos afastando da nossa linha de raciocínio voltada para a caridade. Vivemos de uma forma que ainda nos leva a associar a prática do bem a centros espíritas, igrejas e outros locais religiosos. Sabemos que o bem é essencial, mas nem sempre temos oportunidades de praticá-lo.

Neste sentido, surgiu a idéia de estudar como aplicar o amor dentro das organizações. O local em que trabalhamos deve dar vazão e motivar essa nossa vontade de praticar o bem para com o próximo. É preciso que o clima esteja propício para que as pessoas desenvolvam seu potencial de amar. Não é suficiente que cada um, individualmente, queira praticar o bem. Esta deve ser a política de uma organização. Só então as pessoas conseguirão viver em função do bem, da ética e da caridade de forma mais completa.

Infiltrar estes conceitos de caridade e espiritualidade nas empresas é perfeitamente possível, porém isso deve ser realizado de uma forma adequada. Para isso, é interessante cuidar para que não se insista em aplicar diretamente nas empresas práticas religiosas ou associadas a algum tipo de religião, por mais que acreditemos nelas ou que as julguemos indispensáveis. Dogmas devem ser deixados de lado. A leitura de textos religiosos, por exemplo, pode ser uma prática muito adequada para promover os conceitos morais e espirituais na empresa, desde que todos os participantes acreditem que tal atitude traga um retorno positivo para as pessoas e para a organização. No entanto, a criação de um modelo de gestão voltado para o bem, que seja aplicável a qualquer tipo de organização, não pode definir a obrigatoriedade de realização de uma atividade deste tipo. Estudando uma empresa específica para a implantação deste modelo de gestão, talvez se perceba características próprias dessa organização que permitam ou não implantar, por exemplo, essa leitura religiosa.

É possível observar atualmente muitas mudanças no comportamento empresarial (vide reportagem de capa da revista Exame no 9 de 22/04/98) com o grande número de atividades de assistência social realizadas pelas empresas, com a preocupação com o ser humano, com o cuidado dispensado ao meio ambiente, entre outros. Certamente, tais ocorrências não existem por acaso e demonstram uma transformação, transformação esta que vem se promovendo gradativamente e que se constitui como objeto de nosso estudo. Entretanto, estamos aproveitando nosso conhecimento como espíritas sobre moral e espiritualidade para ajudar na consolidação de conceitos que vem se desenvolvendo naturalmente nas empresas independentemente de religião.

(Publicado no Boletim GEAE Número 299 de 30 de junho de 1998)

Página principal | Mapa do Site | Pesquisa no Site
Creative Commons License