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Uma concepção de Deus

Fátima Farias

O artigo sobre o livro Palavras que despertam e iluminam, de Gizelda Carneiro Arnaud, repercutiu como tema de um papo informal. Alguém comentou que a autora deveria ter um idéia interessante sobre Deus. Respondi-lhe que sim e que Ele, no livro, também é o início de tudo e dos capítulos, que prossegue com uma série de mensagens interessantes ao longo da obra. Vou dar mais uma canja aos meus leitores e compilar mais uns trechos, com a permissão da autora, que, por sinal, acaba de chegar dos Estados Unidos, onde foi lançar o livro, recém-traduzido em espanhol, em Miami e cidades adjacentes. Voltou muito feliz com a receptividade do público, em terras americanas. Na realidade, o aconselhável mesmo é adquirir o livro, até para um aproveitamento melhor do seu conteúdo, que favorece, sobretudo, a auto-estima do leitor.

"Todos os homens trazem em si o sentimento instintivo da existência de Deus. O período primitivo era marcado pela idolatria inconsciente: no sol, na lua, na força do trovão e de outros fenômenos sísmicos. Para cada época, Deus tem as características que o homem lhe atribui. Moisés nos apresentou um deus-homem, um ditador ciumento, vingativo e, ao mesmo tempo, zeloso, um deus que tinha paixões, se encolerizava, tinha preferências e fazia exclusões; um todo-poderoso que se contradizia e recebia conselhos do próprio Moisés; que se arrependia e só sabia que sua obra era boa, depois que a terminava, conforme Gênesis: 'Faça-se a luz!...' 'Deus viu que a luz era boa'.

Perguntamos: Moisés estava errado? Absolutamente. Há 3.500 anos, as criaturas necessitavam acreditar em um deus que fosse acessível à sua compreensão, para entender o monoteísmo, a crença de um Deus único. Mais tarde, veio Jesus e, diferentemente de Moisés, ensinou-nos a amar a Deus sobre todas as coisas e a não temê-lo. A primeira vez que chega ao ser humano, a noção de paternidade, misericórdia e providência divina. Jesus, ao afirmar que Deus era Pai, não queria nos dizer que era homem. Espírito foi a palavra mais adequada que usou para nos falar Dele. Quando disse: 'Sede perfeito como vosso Pai Celestial', Ele estava nos mostrando a possibilidade de atingirmos a perfeição suprema.

Em Deus não há divisões. Deus é Absoluto, o Infinito, o Todo. Quer o denominemos Espírito, Pai ou Filho, tudo constitui Um, o Único, o Filho Unigênito de Deus, é a sua manifestação em todos os Universos, é a Força Divina que tudo impregna. Até o surgimento do Espiritismo, as religiões entendiam ter Deus a forma humana: um velho de barbas brancas, sentado em um trono, julgando os homens por suas virtudes e falhas. Sendo homem, onde estariam seus pais? No Espiritismo, Deus não perdoa, porque não se magoa, Deus é inatingível. Ele não castiga nem premia. Não é alguém que, caprichosamente, faça isso ou aquilo, beneficiando uns e condenando outros.

Somos nós mesmos que nos punimos, todas as vezes que transgredimos as leis divinas; por isso, necessário retornar para repará-las, muitas vezes em corpos imperfeitos, mutilados, com inúmeras deficiências. Todas as dores e sofrimentos são opção nossa. Toda carência de hoje significa abuso de ontem; somos nós que construímos nosso destino. Com a Doutrina Espírita, enxergamos Deus como uma Força Cósmica infinitamente Boa e Amorosa.

O REINO DE DEUS - Jesus nos mostrou que este não é algo externo a nós nem se trata de um espaço geográfico, para onde iremos depois da morte física, mas sim, o que conquistamos interiormente, as conquistas do espírito imortal. Quando disse que devemos procurar, primeiro, o Reino dos Céus e que tudo mais viria por acréscimo, quis mostrar-nos a importância de vivermos bem, espiritualmente. Em suas parábolas, leva em conta coisas que os homens conheciam, admiravam e gostariam de conquistar, nos fazendo compreender que o Reino de Deus não é um lugar, mas sim, a evolução do Ser. Portanto, a entrada nesse reino é a felicidade plena, conquistada, aqui mesmo na Terra.

Vivemos, ainda, um período de esterilidade espiritual, até o dia em que a consciência despertar para a realidade do Espírito. Esses períodos, ou fases evolutivas do homem, são bastante longos. Levamos milênios para sair do primarismo e aprender a viver, plenamente, em Espírito. O homem é imperfeito. Contudo, existe nele a semente da perfectibilidade. Cabe, pois, a cada um o dever de desenvolver essa aptidão divina e liquidar todos os carmas individual, grupal, coletivo e planetário, até não haver mais necessidade de renascimento".

O Norte - 20/07/03

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