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O tríplice aspecto da Doutrina EspíritaGrupo Berlinense de Estudos e Divulgação da Doutrina Espírita ("BSÖS") No preâmbulo do livro "O QUE É O ESPIRITISMO", Allan Kardec definiu o Espiritismo como sendo:
E destacando os aspectos que constituem a doutrina dos espíritos, acrescenta o Codificador:
Essa definição nos mostra que o alcance do Espiritismo é bem mais amplo do que podemos imaginar. Analisando com maior cuidado a seqüência de trabalhos seguida pelo Codificador,perceberemos que esta abrangência se justifica. Inicialmente, Kardec lançou mão da sonda da investigação para poder comprovar a veracidade dos fatos (ciência); em seguida, percebendo que poderia extrair conteúdo mais nobre daqueles fenômenos, formulou questões de elevado teor filosófico (filosofia); na seqüência, retomando as pesquisas científicas constatou que aquelas verdades, trazidas sob a coordenação dos espíritos superiores estavam entrelaçadas a conseqüências morais-religiosas para o Homem (religião). A Doutrina Espírita vinha abalar os alicerces milenares do misticismo, da intolerância, da fé dogmática, do materialismo científico, e era preciso que sua autoridade tivesse apoio na verdade da revelação divina e nas provas dos fatos, a fim de que não pudesse ser honestamente contestada nos seus princípios básicos. (Barbosa [2]) Desta forma, a Doutrina Espírita precisa ser estudada e compreendida em seu tríplice aspecto, a fim de se evitar que ocorram distorções, comuns em todo corpo de conhecimento, visto que cada um de nós tendemos a interpretar as coisas da maneira que mais nos convém, mais nos agrada ou que nossas experiências pessoais permitem. O ESPIRITISMO FILOSÓFICOO Espiritismo é uma doutrina essencialmente filosófica. Analisando a natureza humana, algumas questões vêm atravessando séculos e civilizações :
O aspecto filosófico do Espiritismo ocupa-se com a finalidade da vida e com a destinação da alma. Mostra-nos através de um racioínio lógico que fomos todos criados simples e ignorantes, ou seja, sem conhecimento e sem moral desenvolvida, e que através de vidas sucessivas caminhamos para a nossa destinação que é a felicidade.
A medida que a alma se eleva, vai acumulando saber e virtude. A rapidez com que vamos adquirindo tal evolução, contudo, varia de espírito para espírito, desde que cada um utiliza o seu livre-arbítrio para traçar o seu próprio caminho. O ESPIRITISMO CIENTÍFICOOcupa-se essencialmente com os fenômenos espíritas, isto é, os fenômenos produzidos por espíritos. É positivo e experimental como a ciência do mundo, mas não se perde hipóteses metafísicas, nem muito menos abandona a investigação pelo simples fato de os fenômenos não poderem ser repetidos a qualquer hora ou em qualquer lugar. Observando e analisando os fenômenos mediúnicos e anímicos, o Espiritismo utiliza-se do método analítico ou indutivo. Seu objetivo de estudo é a existência do Espírito, a sua sobrevivência a morte física e a sua volta ao mundo material, fato esse denominado de reencarnação. Não descarta, porém, a influência da mente sobre o corpo e pondera que essa influência é perfeitamente possível depois que o espírito retorna ao mundo espiritual, desde que há um elemento de natureza intermediária entre os dois mundos. Descortina, então, o perispírito, o seu papel como mediador plástico entre o Espírito e o corpo físico.
A ciência espírita tem, portanto, a finalidade da comprovação, da consolidação da realidade do espírito. Atraiu sempre para as suas lides homens notáveis, compromissados apenas com a verdade.
O ESPIRITISMO RELIGIOSOO aspecto religioso fundamenta-se em Jesus, conforme se lê na questão 625 de O Livro dos Espíritos :
A idéia de religião está comumente ligada a uma organização sacerdotal, culto instituído, práticas rituais, dogmas e crendices. O Espiritismo "prega" a fé raciocinada, sem misticismos e segredos iniciáticos, na forma integral e consciente de conduta humana diante do criador (Barbosa [2]), tendo como lema "fora da caridade não há salvação." Desta forma, o Espiritismo estimula o homem à pratica da bondade, da fraternidade, do altruismo, da humildade, do trabalho incessante em prol da felicidade do nosso próximo. Com a Doutrina Espírita
Allan Kardec, em discurso na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, afirmou, conforme a Revista Espírita de dezembro de 1868 :
E na V parte da conclusão de O Livro dos Espíritos, afirma o mestre lionês :
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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